sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Hoje é um dia feliz!

Se eu tivesse criado o Mundo, provavelmente ele não ia ser tão bonito.
Só uma mão muito delicada e um coração muito grande conseguiria imprimir tantas estrelinhas no Céu - pequeninos sinos fulgentes que ardem ali para sempre.
Só um pincel muito fino conseguiria dar cor às asas dos passarinhos para depois, com um pequeno sopro, fazê-los levantar da palma da mão num voo tão leve e delicado.
Agora que penso nisso,
Se eu tivesse criado o Mundo, certamente ele não seria tão bonito.
Mas ainda assim, se eu tivesse criado o Mundo, 
Eu encontraria uma maneira de ficarmos velhinhas as duas - tu primeiro e eu depois.
Tu já velhinha, não envelhecias mais até eu chegar junto a ti.
Então, uma vez que eu te alcançasse, crescíamos as duas mais um bocadinho, sentadinhas à janela.
E íamos embora também as duas, com a mesma idade, no mesmo dia, ao mesmo tempo.
Porque o Mundo que eu conheço, não conhece dias sem ti.


Parabéns, Mãe!


Inté*

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Curta palavragem II

Pessoas que dizem "drivado de..." sem saberem bem porquê.

Um minuto de silêncio por todas elas.



Inté*

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O Bolinhas

Eu sou daquelas pessoas que nutrem uma grande estima pelo seu automóvel. Inclusivamente, o meu automóvel tem nome (um nome herdado a partir do carrinho da Manhê e que parece ter uma tendência natural para o Baptismo de veículos de quatro rodas). Há poucas coisas que me incomodem tanto como ter o carro sujo. Mas não é fácil mantê-lo sempre impecável. Parece que há por aí uns pássaros que têm um sensor, vamos lá... no cu, que é mesmo assim, para carros a brilhar. Sou eu a acabar de limpar e suas excelências a assentar praça, num acto de sadismo exponencial... eu endireitava-lhes a mira.

Pior é quando o dejecto se encontra no trajecto das escovas pára-brisas. É todo um arco -(merd)íris que se forma no vidro e que não sai nem por nada. E eu bem activava aquele jactinho de água mas nada demovia a pintura. Teimosia de merda, no verdadeiro sentido da expressão.

Enfim. Grandes dramas da humanidade.



Inté*

Primeiras chuvas

Ontem a meio da tarde, umas grandes e escuras nuvens coroaram a montanha. Tão imensas e anafadas, prometiam uma valente chuvada que não veio a acontecer. Foram caindo umas gotinhas. Algumas delas mais destemidas que outras, aventuraram-se em quedas livres mais arriscadas, para depois se extinguirem numa terra gulosa de frescura. Mas, apesar de algumas bátegas mais bruscas, ficámo-nos apenas por um chão que mudou ligeiramente de cor - pinceladas em tons húmidos de castanhos e cinzentos - e uma brisa fresca e perfumada. E tão bom que é esse perfume de terra molhada!

O Sol sempre mereceu da minha parte um carinho mais marcado, mas confesso já ter saudades da chuva e de como ela deixa tudo coberto de pequeninos diamantes, sossegadamente pousados sobre a paisagem. 

Será que é desta que vem o Outono? As chuvas abrem caminho, com promessas de dias mais pequeninos, de tons dourados nas árvores e nos passeios; promessas de castanhas assadas e dióspiros; promessas de mantinhas no sofá... e depois instala-se a estação propriamente dita para cumprir todas as suas boas intenções.

Se não for pedir demais, que venham as trovoadas também; aquelas cortinas de ferro que caem pesadamente sobre a noite. Contrariamente ao esperado, trazem-me boas recordações essas tempestades carregadas de trovões e relâmpagos - as pessoas vão deixando impressas pequenas partes de si em ínfimas coisas...



Inté*

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Quem sai aos seus...

Não sou uma verdadeira adepta da política. Acho que hoje em dia, os políticos (se é que merecem ser assim chamados...) perderam o respeito por quem governam e pelos colegas de profissão (se é que podemos usar este termo, também). Reparem nos discursos e debates com que temos sido brindados! A linguagem e os trocadilhos baratos são piores do que aqueles que eu empregava no meu tempo de infantário. E se eu era terrível em troca de galhardetes!

"Toma, toma!" "Só se forem os teus amigos!" "La, la, la, la!"

E além disso, os senhores políticos mentem que se fartam. Nem no infantário eu mentia tanto, porque a Manhê ensinou-me que mentir era feio. 
Injustamente ou não, tudo se me afigura uma grande encenação em que, findas as luzes dos holofotes, cada personagem volta à sua toca, arrecadando para o próprio bolso aquilo que pode (e que, regra geral, é bastante).

Até certo ponto, estranho todo este teatro em que se tornou a nossa política, a falta de brio e de amor à causa. Mas depois, olho para a pessoa que tenho ao meu lado num qualquer banco de jardim ou sala de espera; pouso mais demoradamente os meus olhos nas suas atitudes e postura, e vejo como há pessoas que têm o Governo que merecem; vejo como o Governo que temos é um reflexo daquilo em que nos tornámos.


Inté*

domingo, 27 de setembro de 2015

Alarmes

Eu queria um daqueles dispositivos que desse sinal sempre que eu fizesse asneira, ou que mostrasse uma luzinha verde sempre que eu tomasse a decisão certa. Não para ser usado nas actividades do dia-a-dia; para essas já temos o julgamento de toda a gente (que vale o que vale)...

Eu queria um alerta para aquelas decisões que tomamos, cá dentro nós, muitas vezes sem sabermos porquê, muitas vezes assumidas só porque alguma decisão tinha de ser tomada... sabem quando temos de tomar alguma atitude e não sabemos qual? Quando cada pessoa nos dá uma opinião diferente e ficamos exactamente na mesma? Pronto, seria para esses casos.

Era bom que, de vez em quando, quando nos víssemos obrigados a adoptar certas atitudes, tivéssemos esta mensagem de "vai dar merda..." ou "boa! É isso mesmo!". Ai pah... era cá um alívio não viver com certas dúvidas!



Inté*

Perdeu-se uma grande (cof cof) cantora

É verdade. Eu faço experiências vocais enquanto estou a conduzir (que é como quem diz, canto a plenos pulmões). E acompanho a cantoria com expressões faciais, também.

Mas só com o carro em andamento! Quando paro nos semáforos, diminuo um bocadinho o volume.



Inté*