sábado, 5 de março de 2016

Os insectos e os livros

Ler um bom livro é, na minha humilde opinião, das melhores coisinhas que há nesta vida. Quando fico absorta na leitura, consigo ficar horas a fio agarrada a um livro. Aqui há uns dias, estava eu num desses momentos de alienação quando, por entre as páginas, surge um pequeno bichinho (insecto que eu descreveria com grande rigor científico, como uma bolinha preta). Não lhe dei grande importância e soprei-o para longe dali, não fosse esmagá-lo quando iniciasse a página seguinte. Daí a uns minutinhos, outro pequeno espécimen decide dar ares de sua graça, passeando-se por entre as frases, com uma pressa inexplicável, as patinhas de insecto a mexerem-se velozes sobre o papel.

Eu estava a ler na rua e, por momentos pensei que tal pudesse explicar esta comunhão entre o livro e a Natureza. Mas repetiu-se tantas vezes, que não me pareceu descabido de todo pensar que a manutenção dos livros da Biblioteca Municipal se faria durante a noite, por pequenos insectos bibliotecários. É ridículo, eu sei. A minha mente, não raras vezes, vagueia por um imaginário infantil subconsciente. Cheguei a imaginar até se não existiria um feitiço qualquer que tivesse condenado bibliotecários humanos a uma vida de artrópode.

Enfim. Talvez não me consiga focar completamente quando estou a ler. Por muito que goste do livro, há sempre uma janelinha por onde uma parte da minha concentração insiste em saltar...

Sim, já sei o que estão a pensar. Há serviço de Psiquiatria aqui no hospital, sim.


Inté*

quinta-feira, 3 de março de 2016

Cabelos...

O meu cabelo é uma fera difícil de domar. Bem sei que o despenteado e o natural andam na moda mas, na verdade, o verdadeiro despenteado, aquele que o é mesmo, sem manipulações, minha gente, só é bonito nos livros e nas frases feitas do Pinterest...

Ter um cabelo como o meu requer muita paciência. Há dias em que me resigno com o facto de sua excelência parecer ter vida própria e há outros em que o cortava rente, se pudesse. 

Digamos que o meu cabelo tem toda a rebeldia que eu não tenho; a pobre ficou-se pelo couro cabeludo e não se estendeu mais distalmente.



Inté*


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Cookies e mais cookies

Já estou farta daquele aviso que aparece em diversos sites acerca dos cookies. Coisinha chata!
Ainda se fosse um aviso sobre a possibilidade de a visita a determinado site poder culminar num arremesso de cookies, daqueles que se comem, a partir do ecrã... isso é que era de valor.



Inté*

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Para quem não pode fazer nada II

Lembram-se deste post?
Pois bem, a sugestão que vos trago hoje é uma outra oportunidade de sermos úteis de forma gratuita e sem necessidade de despendermos muito tempo!

Ora vejam:

"Sabia que pode doar 0,5% do seu IRS a uma entidade particular de solidariedade social, religiosa ou de utilidade pública?

Esta acção não tem custos para o contribuinte pois os 0,5% são retirados do imposto total que o Estado liquida, e não do que será devolvido ao contribuinte, caso tenha direito à restituição do imposto cobrado.

Para tal, basta preencher o quadro 9 do anexo H com o nome da instituição e o NIPC (Número de Identificação de Pessoa Colectiva).

Para saber quais as entidades a quem pode fazer a sua doação este ano consulte a Lista homologada das instituições."

Informação retirada daqui.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Estudante, estudantinha...

Nunca fui muito ambiciosa. Sempre fiz as coisas o melhor que pude porque acho que é assim que tem de ser. Quis ser médica desde os 12 anos, altura em que nasceu a minha prima. Achei que tinha de ser Pediatra (como a vida muda!). Nunca quis ser chefe, nunca quis destacar-me. Ainda hoje, não faço nenhuma questão que isso aconteça. Eu quero é um rio, um livro e uma lareira. Não tenho nenhum desejo especial de vir a ser uma especialista de renome - mas quero ser uma boa médica. Nem sempre as duas coisas significam o mesmo. Quando escolhi a especialidade, a maioria das pessoas pensou que a Estudante ia para Lisboa. Porque tirar a especialidade na capital não é a mesma coisa. Ter de acordar 2 horas antes da hora de entrada, queimar metade do ordenado na renda parece ser mais prestigiante. Mas a Estudante não foi para Lisboa.
Acredito que o conceito de vida nas cidades "grandes" esteja sobrevalorizado. Se me garantirem uma boa formação noutro lado qualquer, não me apanham em filas de trânsito.

Vim viver para o verde e agradeço muito por isso.



Inté*

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Eu logo vi...




É por isso que me mantenho saudável. Bahh... tretas.


Quando o teu peito fica junto do meu e eu sinto o palpitar do teu coração, é como dedos que tamborilam nas teclas de um piano. E então, devagarinho, há uma melodia que se eleva, tão clara, tão cristalina - até parece que a partitura se gravou em mim antes de eu ser e esperou por ti até agora. O amor é uma música. Foi a música que não se ouve, aquilo que primeiro vi em ti.


Inté*

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Ai as Urgências

Nesta altura do ano, as urgências são caóticas. Há muitas infecções respiratórias, hipotermias e afins. Os internamentos estão cheios, não há onde internar os doentes e as macas acumulam-se nos corredores. Às vezes, falta a paciência de quem trabalha mas, sobretudo, falta a paciência de quem está a ser atendido. De vez em quando, lá aparece o personagem agoirento que gosta de lançar uns bitaites em voz alta, só para deitar umas achas na fogueira (que já está pouco quente...). "Isto é uma pouca vergonha!", "Onde é que já se viu?", bla bla bla... e de repente, uma onda de indignação percorre os restantes doentes, que passam a não querer pôr a sonda, que subitamente querem ir embora. "Eu vou-me embora!". Penso que dizem isto em tom de ameaça e que o alvo é o médico. Mas o "eu vou-me embora" não tem exactamente esse efeito em nós, acreditem.

Outro fenómeno muito curioso é o doente que chega muito aflito. Ou porque tem dores, ou porque tem falta de ar... e, quando se sente melhor, acha que pode ir andando. Nem precisa do resultado das análises, nem do raio-x, nem de tratamento dirigido à causa, nem de coisa que o valha. Como se tivesse ido ao supermercado comprar "sais de frutos". Não interessa encontrar o que provocou as dores e a falta de ar. O que interessa é que já passou e, se por acaso, ficar sem ar outra vez, volta amanhã.
Voltam quando se sentem mal. Porque também há quem seja aconselhado a voltar dali a uma semana para ser reavaliado, para saber o resultado de umas serologias e para ser orientado, e não volte. Sabem o que isto é? Dinheiro de todos nós que foi para o lixo. Para não falar de irresponsabilidade e falta de respeito.

As urgências são também um consultório sentimental. E não digo isto em tom de gracejo. Não é raro que, lá pelo meio da história da dor de costas, haja uma mãe que faleceu há três meses. Ou então, umas "picadas" no peito de uma senhora viúva que se sente sozinha. Metade das vindas às urgências são, eu apostava nesta!, por falta de amor. E metade dos internamentos prolongados são, também apostava nesta!, por falta de amor. Não imaginam como somos pressionados a internar os velhinhos que, em consequência da doença, da idade avançada, ficam acordados de noite e não deixam ninguém dormir; ou precisam constantemente de atenção porque podem cair, porque não comem nem bebem pela mão deles... é incrível a facilidade com que estes doentes são propostos, pelos cuidadores, para ficarem no hospital.

Ao mesmo tempo, não os censuro. Deve ser imensamente cansativo não dormir uma noite inteira durante meses, às vezes, anos!, ou não poder sair de casa porque há alguém totalmente dependente de nós. O nosso sistema tem muitas falhas. E não me refiro só ao sistema de saúde, refiro-me também à componente social, que é cada vez mais decadente.

O dia de urgência é aquele dia em que, por vezes, dou por mim a pensar como deve ser bom ser pedreiro.



Inté*