Parece que a vontade de escrever vem, sobretudo, quando volto para casa. Já há quase dois meses que não dormia na minha cama de quase sempre.
Hoje de manhã, quando abri a porta e senti o cheiro campestre da Primavera senti uma alegria tão grande! Este cheiro só existe aqui. Quase senti vergonha de já não me lembrar deste aroma que surge com os primeiros dias de Sol e com as primeiras flores.
Desculpa lá Montanha por já não me recordar do teu perfume...
Mas continuas a cheirar tão bem!
Inté*
sexta-feira, 20 de maio de 2016
sábado, 26 de março de 2016
Bruxelas
Sinceramente, já não sei o que dizer sobre os ataques terroristas (e este post já vem com algum atraso). A primeira ideia que me ocorre é a de que este tipo de incidentes não deveria ser alvo de cobertura televisiva; cobertura por rádio seria suficiente. Deve ser muito reconfortante para os cabecilhas deste tipo de acções verem as consequências dos seus actos em todas as estações de televisão. Uma vitória, sem dúvida. A luta contra o terrorismo deveria fazer-se sem grande alarido, de forma forte e consistente mas sem barulho, como se ele fosse um tema secundário. Bem sabemos que não é, mas podíamos combatê-lo também com esta postura de desprezo, mesmo que o sintamos de forma diferente.
Quanto ao resto, parece-me difícil convencer alguém de que não vale a pena ter medo. Mas não vale mesmo. Ir no metro ou no avião a olhar constantemente em todas as direcções à procura de sinais suspeitos vai valer-nos de quê?... Vamos obrigar alguém a sair? A maior vitória do terrorismo é impedir o indivíduo de viver a sua vida e a sua liberdade. Aeroportos fechados, ruas vazias, fronteiras encerradas... parecemos uns bichos encurralados. Como resolver esta situação? Não faço ideia. Mas, aparentemente, também não é assim.
Inté*
sexta-feira, 25 de março de 2016
Cozinhamentos
Cozinhar é uma forma de amar as pessoas. Aprendi isso com a Manhê. A maneira como a Manhê cozinha só pode ser de alguém que gosta muito de nós. Não digo que quem não cozinha não tenha capacidade de amar; não é isso. Cozinhar é só mais uma forma de demonstrar carinho, entre tantas outras. Mas é quase a minha preferida. É por isso que a Manhê fica triste quando não comemos tudo (tal e qual como quando éramos pequeninas...). Quando desvíamos alguma coisa para a borda do prato, é um bocadinho de amor que fica ali sem ser consumido. Eu gostava que a Manhê não levasse isso de forma tão literal...
Inté*
quinta-feira, 24 de março de 2016
Aniversários
No dia do meu aniversário recebo mensagens de parabéns de vários estabelecimentos comerciais. Não sei se vos acontece o mesmo, mas deduzo que sim. É da óptica, é da loja disto, da loja daquilo... enfim. Uma estratégia de marketing como tantas outras - obviamente, eles não querem saber do nosso aniversário para nada, à excepção talvez das ópticas (a idade não perdoa e raramente morremos sem um par de óculos) e das funerárias (por motivos mais do que evidentes...). Mas da funerária nunca recebi os parabéns. É verdade que não sou cliente assídua porém, de qualquer maneira, como deve ser bom para os donos deste tipo de negócio assistir ao envelhecimento da população! Quantos potenciais clientes! Cada ano que passa é um caminha inevitável para os lucros de uma casa deste tipo.
Pensando bem, seria uma hipocrisia da parte de uma funerária dar os parabéns a alguém. O que eles querem mesmo é que morramos e que nos deixemos destas coisas - bolos, desejos de muitos anos de vida... uma tradégia.
Uma funerária honesta nunca diria menos do que isto:
"Hoje é o seu aniversário. Mais um ano em que não tivémos o prazer de o ter como nosso cliente. Talvez durante este ano tenhamos o gosto de lhe prestar os nossos serviços".
E quem é que queria ser cliente desses senhores que tão abertamente expressam o desejo de nos ver em quatro tabuinhas?? Ninguém! O mundo dos negócios nem sempre é compatível com o bom carácter das pessoas. É preciso uma certa hipocrisia.
Inté*
quarta-feira, 23 de março de 2016
Notícias
A minha periodicidade de postagens tem sido muito variável... ou lábil, como nós dizemos em termos médicos. Na verdade, até estou de férias, portanto não será propriamente por perda de tempo mas antes, por falta de assunto. Ou talvez não. A verdade é que eu nunca fui muito boa em fazer conversa de circunstância e, aparentemente, também não sou muito habilidosa em escrita de circunstância. Talvez faça parte desta minha personalidade perfeccionista e quase obsessiva pensar que aquilo que é dito deve ter sempre alguma utilidade e, não se verificando tal requisito, mais vale manter a boquinha fechada.
Mas também não acredito que cada coisa que digamos deva ser objecto de uma dissertação de Mestrado e este critério de qualidade que referi é algo que aplico mais à minha pessoa do que aos outros... Enfim. Nem eu me compreendo, por favor, não tentem fazê-lo sozinhos em casa.
De resto, a vida cá vai andando. O Solinho vai espreitando de vez em quando e aqui por casa está tudo praticamente igual, parece que o tempo pára enquanto estou fora. Quando chego, parece-me sempre que saí no dia anterior...
O Simbinha magoou uma pata e duas idas ao veterinário valeram-lhe uma mão de medicamentos e um "funil" na cabecita. Quando se senta parece um candeeiro...
Inté*
sábado, 12 de março de 2016
Inspirar fundo
Estupidamente ou não, eu acredito que olharmos coisas bonitas e, sobretudo, que fazermos coisas bonitas, nos torna mais bonitos. Eu acredito que, se os meus olhos pousarem muitas vezes no mar e na montanha, e nas flores e em peças de teatro; que se os meus ouvidos servirem de entrada a melodias bonitas, a gargalhadas, tudo isso fica, de alguma forma em mim; um brilho oculto num lugar qualquer.
Eu acredito que as histórias de vida, as experiências, tornam as pessoas mais preenchidas; tornam-nas mais pessoas. É por isso que, quando tenho esse privilégio de viver dias bonitos, inspiro fundo e com cuidado - o ar também transporta essa magia. E toda a gente sabe que o sangue, para ser purificado, passa primeiro pelos pulmões.
Inté*
quinta-feira, 10 de março de 2016
Gaivotas
Quando a chuva dá uma trégua, costumo sentar-se à beira rio. Só assim. Ali sentada a ver como os barquinhos vão e vêm. E a ver as pessoas nos seus passeios em família.
E as gaivotas. E outros pássaros, de uma cor castanha malhada, que eu não sei como se chamam. As gaivotas são tão grandes! Impressiona-me a leveza com que voam; são do tamanho de uma grande galinha, mas com o triplo da leveza e elegância. Prefiro uma cidade com gaivotas do que com pombos. Contudo acho que, em certos aspectos (ora pensem lá quais...), gaivotas a sobrevoar as nossas cabeças podem causar muito mais estragos...
Tenho pena que as gaivotinhas tenham de pescar com este frio. A água deve estar tão fria! E elas lá vão, pousam na água e apanham um peixe! Tudo bem que as penas são impermeáveis... mas e as patas? Devem andar sempre com as patinhas frias...
A Manhê não podia ser uma gaivota; ela detesta ter os pés frios.
A propósito, as gaivotas também gostam de bolachas Maria. O outro dia deixei umas migalhinhas no parapeito da sala de reuniões do hospital e houve uma avezinha que foi lá buscá-las.
Inté*
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