segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Quando os médicos ficam doentes...

Na verdade, eu não estive doente. Mas, há pouco mais de uma semana, fui sujeita a uma pequena cirurgia. Nunca tinha sido o alvo de um bisturi e, portanto, não ía completamente relaxada mas estava confiante de que ia correr tudo bem.

Entretanto, durante o procedimento, pude sentir alguma dor, mas era perfeitamente tolerável. Estava tudo sob controlo e eu estava orgulhosa da minha pessoa. Eu estava mesmo a conseguir manter-me calma mas o cirurgião trocou-me as voltas quando me perguntou se eu teria algum problema de sangue... "Mauuu!" pensei. "Estava eu a portar-me tão bem, com tudo tão controlado, e agora vens tu estragar-me o esquema todo??".
Respondi-lhe que não; até ao momento, não tinha conhecimento de nenhuma alteração. "Ok. É que estás a sangrar mais do que o suposto...".

"Uau! Vejam bem como ele consegue ser tããão animador!..." 

Bem, com sangue ou sem sangue aquilo terminou e quando me levantei a sala girou um bocadinho, mas lá me voltou a cor às bochechas. "Estou cá até às nove e meia, se precisares. Se vires que o penso fica muito sujo, podes vir ter comigo."

Agora digo-vos a verdade: eu fui para casa cagada de medo. Mas por que raio pá, aquilo haveria de sangrar? Ía morrer por causa de uma coisa tão insignificante!! Dei por mim envolta nestes pensamentos mais obscuros quando a razão passou por mim: oh rapariga, tu sangras todos os meses pá, e ainda não morreste. Deixa-te de m*****.

E foi remédio santo.


Inté*

domingo, 2 de outubro de 2016

Lição de Anatomia

Eu tenho um carinho especial pela Cardiologia. Não consigo evitar romantizar a especialidade que cuida dos corações embora, claro está, saiba perfeitamente que os Cardiologistas cuidam do coração enquanto bomba propulsora e que aquela parte do coração que realmente nos mantém vivos - aquela do amor e das emoções - não tem merecido destaque entre as especialidades tradicionais.

Talvez então, tenhamos dois corações ou, quem sabe, uma espécie de alma que circula discretamente neste espaço físico e cujas manifestações sistémicas não são assim tão discretas...

Mas reparem como o coração é um órgão maravilhoso: provavelmente, é a única coisa que temos que quanto mais cheia, mais leve. Quanto mais guardamos nele, quanto mais carinho ele tem, menos pesado se torna. Não é extraordinário? O nosso coração é relativamente pequeno, sabem? Mais ou menos do tamanho do nosso punho fechado e, ainda assim, trabalha incessantemente, durante toda a nossa vida, com um ritmo que se adequa à música da nossa vida: umas vezes mais acelerado, outras vezes aos pulinhos... Não tenho dúvida contudo, que é um órgão muito feliz.


E por falar em coração cheio, hoje a minha pessoa favorita faz anos! Muitos Parabéns, Manhê :D



Inté*


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Vou contar até três!

É incrível como neste país tudo funciona melhor mediante ameaça. Uma pessoa passa dias a tentar obter uma resposta a uma pergunta e ninguém lhe passa cartão. E manda mails e remanda mails e nada. Mas assim que se diz que, ou respondem, ou vão levar com uma reclamação nos costados, ai Jesus!, o teclado até fumega! E "Estimada Estudante" para aqui, "Estimada Estudante" para lá... cínicos.

É triste. Parece que estamos a lidar com meninos pequenos. Se quisermos que alguém faça alguma coisa, é preciso arregalar bem os olhos e dizer: "vou contar até três! Uuuuummm... doooooiisss...". 

Enfim.



Inté*

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Dogmas quotidianos



Quando vi esta imagem não pude conter uma gargalhada que, vítima de um realismo atroz, logo deu lugar a um choro compulsivo.

É mentira! Achavam mesmo que eu reagia dessa maneira? Não cheguei a dar a gargalhada...



Inté*

Perspectivas

"43 anos numa cadeira de rodas por erro de diagnóstico". Foi assim que o Diário de Notícias noticiou a história de Rufino Borrego, um doente com miastenia congénita por mutação do gene DOK7 que, após correctamente diagnosticado, voltou a andar pelo próprio pé. Foi com um título semelhante que a SIC apresentou esta notícia na noite passada.

Ocorrem-me tantos outros títulos! "Homem volta a andar 43 anos depois!", "O Milagre da Ciência", "A Importância da genética nos nossos dias"... Sei lá! 

Mas para quê o optimismo, se podemos fomentar a negatividade, não é verdade?



Inté*

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Somos todos doidos?...

Já alguma vez vos assolou a mente a hipótese de serem um indivíduo com graves perturbações mentais (um louco!) sem se terem dado conta? Ou seja, imaginem que sofrem de uma patologia psiquiátrica realmente grave, e que são mantidos num determinado meio e círculo de pessoas, como forma de tratamento... não sei se estão a perceber onde quero chegar.
Os loucos não sabem que são loucos. E normalmente, são mantidos em certos ambientes e tal, e nunca chegam verdadeiramente a ter conhecimento da sua loucura. Provavelmente, acham-se pessoas perfeitamente normais porque não conhecem outra realidade a não ser a deles.

Hoje, ía a caminho do hospital, quando me lembrei dessa hipótese: e se eu for uma ganda maluca que anda aqui sem saber? Mas senti isto profundamente, com uma sensação real de alheamento, sabem? Foi uma coisa muito estranha.



Inté* 

sábado, 24 de setembro de 2016

O Outono




Há coisas que só são bonitas nos poemas.
As saudades, os corações partidos, os amores platónicos, as despedidas e o Outono.

O Outono é uma estação muito bonita se a vivermos por escrito. É dourada, é amena, é um adeus ao Verão. Não consigo evitar sentir-me um pouco melancólica quando chega o Outono. Porque depois do Outono vem o Inverno, o frio, a chuva, os dias pequeninos... O Outono é assim uma espécie de Domingo, estão a perceber? Não é propriamente o Outono que incomoda, mas sim o que vem depois.

Vocês gostam do Outono? Digam lá a verdade! Não ficam tristes com a perspectiva de ter de andar com quatro camadas de roupa, chapéu de chuva e todas aquelas coisas que usamos para evitarmos ficarmos molhados, mas que dificilmente dão resultado?

Eu estou na zona mais chuvosa do país, minha gente! Como é que eu podia ficar contente?! Eu que gosto tanto de acordar com o solinho!...


Inté*