... estar com fome (e já seria tortura mais que suficiente!) e ter a comida à frente, prontinha, a emanar perfumes irresistíveis, e não conseguir comer por esta estar a ferver. E vamos fazendo sucessivas tentativas de levar uma garfada à boca e, de cada vez que tentamos vencer este sadismo, pimba!, uma queimadela na língua. Sopramos, mexemos, abanamos, pomos à janela, e o tempo não passa, a comida não arrefece, o estômago nas costas... enfim, um cenário infernal a condizer com a temperatura da refeição.
Finalmente, a comida arrefece e nós suados, desgrenhados, à beira das lágrimas, a glicose no limite. Pensamos que é desta que vamos conseguir e, eis senão quando a comida até entra na boca, não queima mas... não sabe a rigorosamente nada. A língua queimada parece uma lixa, as papilas gustativas foram-se e durante três dias vamos saborear mas é o tanas.
É, a vida pode ser muito dura.
Inté*