Cá em casa há uma caixa de costura porque é preciso remendar as coisas. Cosem-se buraquinhos, pregam-se botões, recose-se o que, por algum motivo, se descoseu. Há sempre aquela tentativa de substituir o "velho" e o "gasto" por outras peças novinhas em folha, sem retoques, sem cicatrizes. Mas o remendado não deixa de ter um certo encanto, não acham? Há qualquer coisa ali que nos remete para o passar do tempo, para uma história... que nos recorda a resiliência perante as adversidades que vão deixando pequenos buracos e imperfeições.
Ao fim e ao cabo, até nós sofremos alguns remendos ao longo da vida - mal de nós se assim não fosse! Vivermos até à morte tal como viemos a este Mundo, imutáveis, sem uma correcção, sem uma mudança de rumo. Quando as pessoas batem à porta dos nossos dias, trazem com elas todos os seus remendos: memórias, cicatrizes, traços que são só delas. E são mais bonitas, por dentro e por fora, se forem assim, com histórias por contar. Tão bom quando juntamos remendos!...
Inté*
PS: vocês são mesmo boas pessoas... o meu post anterior não deixa de estar revestido por alguma ironia e exagero, inerentes a qualquer caricatura. O episódio que vos descrevi, foi um episódio caricato e que nos valeu valentes gargalhadas, mas vocês focaram essencialmente, o lado sério da coisa. A "revolta" que mencionei não é por acaso que está em itálico; não nos podemos revoltar sempre quando as coisas correm mal, se seguem o esperado e expectável. Por vezes, a expectativa desmedida e a esperança irreal são mais prejudiciais do que benéficas. Já aprendi a não me revoltar tantas vezes e a aceitar em Paz o rumo de muitas coisas.

