Quando era pequena, era uma maria-rapaz. Quem me quisesse ver feliz, vestia-me umas jardineiras e uns ténis. Não me interessava se andava às bolinhas ou às riscas. Lembro-me que no Natal, a pior prenda que me podiam dar era roupa, incluindo meias, claro está.
Desembrulhava os presentes com cautela; palpava, tentava adivinhar o que era e se me interessava, abria. Se por acaso desse conta de que ia desembrulhar uma peça de roupa, o embrulho ia logo para cu de Judas.
"Esta não..."
Ou então, abria o presente e depois dizia um "Oh..." profundamente desiludido.
A minha Manhê, coitada, a ver se compunha o arranjo ainda me dizia:
"Então filhota, não abres a prenda que a Avó deu?"
"Não..."
As crianças não perdoam, já se sabe.
Inté*