Mostrar mensagens com a etiqueta reflexões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta reflexões. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Conclusões

Talvez o ser Humano não seja tendencialmente bom. Já estive certa de que éramos intrinsecamente bons (e acho que até escrevi sobre isso!), mas tendo em conta o estado do Mundo e as coisas que ouço todos os dias, é impossível conseguir acreditar que nascemos bons. Ou então, não nascemos bons nem maus mas algo nos leva, tendencialmente, a optar pelo pior caminho. 

Bem vistas as coisas, não digo isto com um tom fatalista porque acredito que possuímos uma arma quase infalível para solucionarmos o problema, e essa arma é a educação. Acontece que talvez, nem todos nós estejamos munidos dessa arma. E embora grande parte das pessoas que vemos todos os dias não seja , também não é boa. E não ser mau é claramente insuficiente. Não basta não matar, não roubar... temos de ser realmente bons, mesmo nas coisas pequenas! Termos cuidado com o que dizemos, termos cuidado na maneira como tratamos os outros, sorrirmos mais, ajudarmos mais! Não esquecendo que educar é dar o exemplo. 

Se pensarmos que mais de metade do Mundo está em guerra, reparem nos milhões de crianças que são educadas nesse clima de maldade, de desespero... como é que podemos ter um Mundo feliz nessas condições? E quem não é feliz, maior dificuldade terá em ser bom...

Mas há esperança, claro que sim. Se somos capazes de coisas tão bonitas como a música, a pintura, o voluntariado, é porque temos também em nós qualquer coisa de muito bom.


Inté*

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Elogios

CUIDADO: vou ser má. E crucificada talvez, mas vou ter de desabafar convosco porque é algo que está aqui dentro, muitas vezes adormecido, é certo, mas que as redes sociais insistem em despertar em imensas ocasiões, e me deixa doente.

Vocês sabem que o valor dos elogios é muito relativo, certo? Por exemplo, elogios vindos da mãe ou da avó devem ser sempre alvo de um atento escrutínio, dada a sua clara falta de imparcialidade. A Manhê e a Avó também dizem sempre que eu sou muito linda e isso em mim já não tem efeito extremamente nenhum (talvez entre -10 e zero, vá) porque eu sou uma pessoa com um espelho redondo na casa-de-banho e porque sei que a realização pessoal não passa por uma carinha laroca e, portanto, convivo bem com a minha ausência de beleza (ausência de beleza... Não é o mesmo que ser-se feio). 

Ora bem, acredito que a maioria de vocês tenha Facebook (essa coisa inútil que eu não desactivo porque me ajuda a recordar alguns eventos e datas de aniversário) e, portanto, estarão familiarizados com esse fenómeno que eu muito carinhosamente apelidei de "mentira descaradona". E que fenómeno é esse, Estudante? Passo já a explicar.

Sabem quando alguém coloca uma fotografia e surgem comentários como "que linda!", "Uau! Que gata", "Estás maravilhosa", e outros que tais, que fazem alusão a uma beleza inexistente, cuja visualização só pode ser explicada por um amor incondicional por parte de quem escreve ou por interesses doutro tipo? Não vos faz confusão?... ver como a pessoa não foi abençoada por Deus com os pós da beleza e, ainda assim, é alvo deste tipo de comentários? Eu acho ofensivo... porque é mentira, claramente!

Todos nós já fomos vítimas deste tipo de comentários, certo? Mesmo até em reuniões de família. E é tão constrangedor! Eu acho quase ofensivo que alguém me elogie desta forma porque, ou a pessoa quer ser agradável, ou é zarolha de todo.

Mas há elogios piores! Também já devem ter reparado naqueles indivíduos que, e isto é mais frequente nas felicitações de aniversário, elaboram grandes discursos em que o visado é a "melhor pessoa do Mundo", "com um coração enorme", "super inteligente", "grande amigo" bla, bla, bla... e vocês assistem impotentes a algo que sabem ser completamente mentira e sem sentido nenhum mas não são capazes de desmentir. Enfim.

Há formas de elogiar sem mentir. Podemos dizer que gostamos do vestido, do anel, do corte de cabelo... não é preciso dizer ao Shrek que está bonito, compreendem?
E quanto às qualidades da pessoa, idem. A pessoa é amiga dos animais? Tudo bem, óptimo! É altruísta, ajuda os outros... podemos ficar por aí. Não é preciso dizer que é boa em tudo o que faz, que tem um QI  acima da média. Cada um é o que é e isso é que tem valor.

Atribuir a alguém qualidades que não tem é menosprezar aquelas que realmente possui, compreendem? Como se não fossem suficientes! Como se, para além daquilo que é, devesse ser mais alguma coisa...

E isso está mal, caramba.



Inté*

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O tema do momento

Não é difícil que, em situações de crise, a nossa tendência seja romantizar um pouco os acontecimentos. Porque é também em situações de catástrofe e de total caos que vemos como, apesar de todo o mal, as pessoas conseguem ter actos maravilhosos (quase inacreditáveis!) de altruísmo e solidariedade.

A calamidade dos incêndios que têm devastado o nosso país não é excepção. Em primeiro lugar, todos os Bombeiros são de uma dedicação sem medidas. Depois temos as populações que acarinham estes seus soldados da paz, com comida, com companhia, com trabalho no campo... e tantas outras histórias que haverá de bondade e que nós nunca viremos a conhecer. No fundo, no meio de toda a escuridão de que se reveste esta catástrofe, há ainda espaço para coisas bonitas.

Contudo, é importante que a situação seja encarada tal como é: uma calamidade, um crime. Antes de constituir uma situação de actos de união, força e coragem, é uma catástrofe. Não podemos perder o foco. Muitos dos fogos (eu julgo que praticamente todos...) têm mão criminosa e podem ser prevenidos com a instituição de certas medidas. Os fogos não são acontecimentos inevitáveis; não são aquele "acontecimento de Verão" já "normal", em que uns destroem e outros constroem. Não são momentos bonitos em que grupos de pessoas dão a vida pela floresta e pelos outros. Portanto, embora encaremos estes acontecimentos com uma certa comoção, temos de encará-los também com a determinação, a indignação (e raiva, talvez!) de quem se revolta contra a ausência de medidas preventivas concretas!

Sou de opinião que os incêndios são uma fonte de lucro bastante significativa. De que forma? Não sei exactamente. Quem lucra? Não faço a mínima ideia. Mas um cenário que se repete anos a fio, completamente expectável, sem que ninguém tome quaisquer providências é porque dá dinheiro a alguém, não há outra justificação para isto.

Fogos por causa do calor, do Sol... a sério? Se assim fosse, metade do Mundo estaria a arder! Olhem, como se diz cá no Norte, não me fo***!


Inté*

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

As normas

O aeroporto do Porto ou de Lisboa é um aeroporto como outro aeroporto qualquer - os aeroportos onde estive, mesmo lá fora, a bem dizer, são bastante semelhantes, tirando um ou outro aspecto. Cumprido o check-in e a passagem pela segurança, somos imediatamente lançados num espaço comercial, repleto de ofertas, promoções, oportunidades únicas (!). Existem, inclusivamente, aeroportos em que não é possível dirigirmo-nos para as portas de embarque sem passarmos primeiro pela superfície comercial. E isto parece-me errado.

Ora, foi numa dessas vezes em que eu aguardava um voo que pensei na mediocridade de tudo isto. Reparem como todo o nosso modo de vida gira em torno do consumo. Os aeroportos são verdadeiros centros comerciais. Seria a única alternativa?... Certamente não, mas é de certo, a mais lucrativa em termos económicos. Reparem como visitar um shopping durante o fim-de-semana é o programa de tantos nós; como damos um pulinho a uma loja para "passarmos o tempo". Analisando mais atentamente estes nossos hábitos, chega a parecer ridículo que vivamos assim... não acham? Vivemos para ter. 

Já imaginaram como as nossas vidas seriam diferentes se não vivêssemos num Mundo tão capitalista e consumista? Atenção que eu não estou a dizer que é um sistema errado ou certo; estou apenas a questionar-me. Para nós é "normal" vivermos assim porque nunca vivemos noutro sistema. Mas imaginem como seria viver numa sociedade educada para outro tipo de valores e ambições. Talvez deixássemos de querer aquele emprego para conseguirmos aquele carro e aquela casa; talvez não tivéssemos de ir viver para longe da nossa família; talvez isso nos poupasse muita ansiedade e stress. Talvez.

Parece-me de uma pequenez tremenda o facto de qualquer espaço vazio ter como primeira opção uma loja. E parece-me incorrecto que num aeroporto, voltando um pouco atrás, me obriguem a entrar num espaço comercial. Este tipo de iniciativa/sistemas (nem sei como lhes chamar) não será um atentado à nossa liberdade? Porque eu quero apanhar um voo, não quero ir às compras... então por que raio sou cuspida no meio de um corredor cheio de perfumes e chocolates e souvenirs? Não compreendo. E mais; acho que o facto de, de alguma forma, contribuirmos para a perpetuação deste modo de vida, nos diminui. Porque nós somos muito mais do que seres consumistas; temos tantas capacidades, tantos talentos... porque é que acabámos num sistema que fomenta sobretudo o interesse no dinheiro?!



Inté*

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Não é verdade...

Não é verdade que as pessoas se apaixonam pelas pessoas boas e inteligentes, pelas pessoas interessantes, pelas pessoas com sonhos, pelas pessoas alegres, pelas pessoas exemplares. 
As pessoas apaixonam-se... porque sim. Pensem: quantos dos vossos amigos, daqueles mesmo espectaculares, divertidos, impecáveis, são solteiros? Se o amor obedecesse a regras, as boas pessoas seriam as primeiras a encontrar o amor... e isso acontece assim com tanta frequência?
Por outro lado, o amor não acontece só às pessoas bonitas, magras e bem vestidas. Não acontece só aos modelos, aos príncipes e às princesas.

Ele vai acontecendo, aqui e ali, sem pré-aviso, quando lhe apetece.


Inté*

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Esse conceito do "overthinking"...

Eu tenho uma cabeça hiperactiva. Eu não me considero hiperactiva, mas a minha cabeça é. Oh se é! Quase parece uma entidade separada de mim... E, para melhorar as coisas, é predominantemente nocturna. Quantas vezes eu me deito e tudo aqui em cima fervilha: revejo os doentes, os exames que pedi, penso no pessoal lá de casa, no que hei-de fazer para comer no dia seguinte, nas coisas que disse, que fiz... a minha cabeça dá comigo em maluca. Sabem aquela história de "calar a mente"? Sentarmo-nos durante cinco minutos e não pensar em nada? Mas afinal, o que é isso?! Porque eu não me lembro de alguma vez ter conseguido não pensar em nada. E quando me esforço para o fazer... ai Jesus, parece que se levanta um tornado cá dentro!

"Vá lá Estudante, não penses em nada". E imediatamente me assolam dúvidas de como é possível não pensar, de que eu não consigo fazer tal coisa e então, o suposto exercício de relaxamento, dá comigo em doida! Solto um palavrão (ou dois, assim na loucura)  e volto à minha rotina de neurónios hiperactivos e sinapses autónomas. Eu acho que esta cabeça dava luz se ligada a um dispositivo próprio. Não pelas ideias, mas antes pela sua incessante actividade.

Que caraças, como eu gostava de às vezes, conseguir desligar o andar de cima!



Inté*

domingo, 7 de agosto de 2016

Alguma coisa está mal...

Vivemos à base de comprimidos. Se queremos ter memória, tomamos comprimidos; se queremos ser magros, tomamos comprimidos; se não temos apetite, tomamos comprimidos; se estamos tristes, tomamos comprimidos...

Os comprimidos quase substituíram as pessoas. Já não temos direito a estar tristes; deixou de ser natural estar triste na sequência da perda de alguém. E então, mais um comprimido quando, na verdade, o que falta é uma companhia. Tanta gente sem ninguém que vive à base de antidepressivos quando, na verdade, o melhor antidepressivo era um abraço, um carinho. Subvalorizamos as pessoas; sobrevalorizamos os fármacos. Porque ir ao médico e não levar uma receita é inaceitável. Porque um ben-u-ron não chega; é preciso um nome mais sonante, uma coisa mais cara. Mas se o comprimido é caro, também não há dinheiro para o comprar... a menos que seja Calcitrin, esse vale a pena.

Vejam bem que até vendemos comprimidos pela televisão! Estamos a banalizar o uso da medicação e a torná-la a alternativa (indesejável, a meu ver) a estilos de vida saudáveis e a valores e princípios, como a solidariedade social. 

Douramos a pílula e tomamo-la também.


Inté* 

sábado, 6 de agosto de 2016

Vocabulário

Estive a ler alguns dos meus rascunhos aqui do blogue. Alguns são textos inacabados simplesmente porque, ao escrever, sinto que não estou a conseguir passar a minha mensagem. E assim, ali ficam os textos a meio, veículos insuficientes entre o pensamento e a boca. Não vale a pena verem a luz do dia se ficam aquém do objectivo. 

Pensando bem, não sei se teremos vocabulário suficiente para tudo aquilo que queremos expressar... provavelmente, dado o facto de ter sido o Homem a criar as suas palavras, não deve ter atingido o grau de complexidade suficiente. As palavras às vezes, parecem tão pequeninas, tão insignificantes quando comparadas com aquilo que sentimos, que vemos, que ouvimos... é tão frustrante!

E quando assim é, quando as palavras são claramente insuficientes, quanto mais não vale o silêncio! Será que são os nossos gestos que preenchem estas lacunas?...



Inté*

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Pois é...

Os franceses tinham-se esquecido como acabava a história do Patinho Feio.

Mas nós já os lembrámos!



Inté*

sábado, 2 de julho de 2016

Curta palavragem V

Tenho cada vez mais a certeza de que para uma casa ser um lar, tem de ter flores, um animal, um bolo no forno e uma Mãe.


Inté*

terça-feira, 28 de junho de 2016

As passadeiras

Saí depois de almoço para comprar o bilhete que me há-de levar de volta a casa durante uns diazinhos. A meio do percurso, duas ou três passadeiras obrigam-me a parar por uns segundos antes de atravessar a rua. E é quando paro durante esses breves instantes, que os meus olhos pousam descontraídos nas flores dos canteiros que salpicam aqui e ali. São um alívio no meio de tanto alcatrão... Tão coloridas e cuidadas! 

Abençoadas passadeiras que me fazem parar um bocadinho e fazer girar a cabeça de um lado ao outro para ver mais do que apenas a estrada. "Pare, escute e olhe", são as indicações que geralmente acompanham as passadeiras, e eu fico a pensar se este "pare, escute e olhe", para além de nos poder salvar de uma morte física, não nos poderá salvar também de outro tipo de morte, ao nos convidar a parar por um momento, a olhar e escutar à nossa volta. 

Talvez as passadeiras sejam pequenos pontos de pausa neste mundo caótico; uma oportunidade de olhar à nossa volta antes de seguirmos em frente.



Inté*

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Os clichés... esses grandes sacanas

Eu detesto clichés. Detesto lugares comuns, frases feitas, ideias que alguém quer à força colocar na nossa cabeça, porque são "coisas bonitas", porque "era assim que devia ser"... eu detesto clichés.

Eu não quis ser médica desde que nasci. Esse é o meu grande anti-cliché. Eu tive bonequinhos com estetoscópios e termómetros com que brincava muito alegremente. Mas eu só quis ser médica a partir dos 12-13 anos. Até lá, eu queria ser veterinária. Sim, eu sei, os veterinários também são médicos e com 12-13 anos é-se, para a maioria das mães, um bebé. 

Aquilo que eu quero dizer, é que o meu amor pela Medicina e este meu percurso de vida talvez não se revista de todo aquele romantismo que vemos nas novelas, em que o Médico sempre quis ser Médico e conseguiu salvar o irmão de um engasgamento quanto tinha apenas 4 anos de idade... talvez a minha vida até desse uma novela, mas não deste teor. E ainda assim, eu vejo a Medicina como a profissão mais bonita do Mundo.

Por outro lado, existem clichés, que a meu ver não deveriam ser encarados como tal, uma vez que temos tendência a subvalorizá-los quando pensamos neles dessa forma. Nesse sentido, tenho pena, por exemplo, que muitos dos princípios básicos e valores que deveriam prevalecer numa sociedade de bem, sejam encarados como não mais do que frases bonitas de boca de Miss Universo.

Conceitos como a bondade, a verdade, a justiça são quase ridicularizados!... quase como se se tratassem de coisinhas secundárias, pormenores e picuices que só existem nos catecismos.

Um brinde aos bons clichés!


Inté*

quinta-feira, 16 de junho de 2016

O Cúmulo das Coisas

Há cerca de um mês, o Papa Francisco discursou sobre a atenção que devotamos aos nossos animais e aos nossos vizinhos (podem ler o texto aqui). No fundo, foi dito que devemos tratar bem os animais sem nos esquecermos de tratar bem as pessoas. 

Tenho esta percepção, não sei se estarão de acordo, de que, muitas vezes, a mudança de pensamento e paradigma na sociedade se associa a uma dicotomia muito marcada ou então, circula entre extremos. Quero eu dizer que, se há algum tempo os animais eram vistos como "algo" sem direitos e sem importância, hoje em dia dirigimos a nossa atenção de uma forma muito especial para eles; preocupamo-nos em legislar os seus direitos, em fazer cumprir a lei, etc. Quanto a mim, perfeito. Os animais não são coisas: são seres vivos e merecem que os tratemos bem.

MAS, continuam a existir as pessoas. E o que eu vejo muitas vezes, infelizmente, é que os "defensores dos animais", ao se colocarem do lado dos seus bichinhos, assumem uma postura bastante defensiva e por vezes agressiva até, para com os seus semelhantes; quase como se nós, seres humanos, fôssemos os maus da história e os animais os principais (e únicos) alvos do nosso amor e respeito.

Ora, o facto de defendermos os animais e de os amarmos, não nos impede de sentir o mesmo amor e respeito pelos seres humanos; não são duas realidades mutuamente exclusivas. As pessoas também precisam que as amemos e que as defendamos. Como é possível que alguém alimente os animais da rua e se negue a ajudar alguém que passa fome? Não faz sentido, não consigo compreender. Da mesma forma que não compreendo a situação oposta...

Sabem, eu penso que nós menosprezamos imensamente o nosso coração. O nosso coração é enorme! Tem capacidade para amar todos os animais e todas as pessoas; tem capacidade para defender os animais e as pessoas; tem capacidade para ser bom para os animais e para as pessoas. Não precisamos optar por um dos dois! Não é maravilhoso?

Eu proponho uma coisa: eu proponho que em vez de nos apelidarmos de "defensores dos animais", nos apelidemos de "defensores dos seres vivos", de tudo aquilo que existe e que pode beneficiar do nosso carinho e atenção. Que tal?

Já agora, Simbinha, Pirata e Óscar, a vossa dona tem muitas saudades vossas. 


Inté*

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Não sei onde aninhar este texto

"Não sei onde aninhar este texto. É o texto de um livro? De um jornal? De um telegrama? Não sei onde se enquadram os desabafos. Em lado nenhum, talvez. Porque provavelmente há coisas que não são para vir para fora; são de cá de dentro, são nossas. Drená-las com palavras é como drenar um oceano por uma palhinha. Sempre há qualquer coisa que conseguimos purgar mas ah!, meu Deus!, que ínfima quantidade de tudo o que aqui fervilha. E na vigência desta incapacidade tão frustrante, parece que tudo fervilha ainda mais!…
Eu vejo-te do meu alpendre, que é a minha vida. E todos os dias trabalho, arrumo a casa, abro os livros… mas não há dia nenhum em que eu não me sente aqui por uns minutos a ver-te e a sorrir-te. Sem te ver, mas a sorrir-te. Quantas vezes durante o dia eu me encontro a lembrar-me de te contar como aquela música não faz sentido nenhum, como as pessoas se amontoam nos cafés… mas depois lembro-me de que já não vou a tempo. É um comboio que já passou. Tenho de me esforçar para me lembrar que te esqueci. Mas deixaste o teu perfume em quase tudo!...
Então, volto a sentar-me no alpendre, imersa numa luz dourada e quente, um final de tarde eterno, com a agitação do Mundo lá em baixo. Só tu caminhas com suavidade, com movimentos finos, e é a tua discrição que te destaca do meio dessa confusão. Sim, eu sei que tu não pensas assim. Vês-te sempre mais pequeno do que aquilo que és. Eu olho-te com carinho, com uma afeição quase maternal. Tenho a pretensão de acreditar que te decifro melhor do que tu a ti mesmo. Eu percebo essa tua inquietação, a inquietação das pessoas boas. E vejo a tua luta com ternura e admiração. E queria dizer-te que acalmasses esse coração; que não te deixasses cair em queda livre; olha que esse coração também é meu.
Eu sei que antes tu caminhavas na direcção do meu alpendre. Mas depois foste ficando cada vez mais longe, mas não distante o suficiente. Eu ainda te vejo daqui. Às vezes, penso: caso te libertasses das amarras desse Mundo, das convenções, se perdesses o medo, voltarias novamente aqui? É ingénuo da minha parte pensar que tu querias estar aqui? Se for verdade que queres estar aqui, é a única coisa que não te perdoo; não te perdoo tanta falta de coragem e conformismo.
É com serenidade que me recordo de ti, com a provavelmente ilusória certeza de que somos inevitavelmente parte um do outro. Porque eu não te amei como amei os outros (terei verdadeiramente amado alguém?...). Eu amei-te com uma luz que brilhava de um coração que eu não sabia que tinha, que te atingia a ti mas me iluminava a mim. O amor bom é assim, não é? Ele reflecte-se em quem amamos e volta para nós, ilumina-nos e aquece-nos outra vez. Eu lembro-me de, sem querer, fixar-me nos teus olhos e sentir que o mar revolto em mim se apaziguava, ondulava distante, descobria o areal e deixava as gaivotas voarem para longe. Tu, nessa tua inquietude, eras a minha paz mais bonita. É por isso que a minha recordação tua, ainda que dorida e cheia de saudade, não é uma memória sôfrega, consumidora, desgastante. Eu sei que, por mais erros que cometamos, por mais que juremos amar outras pessoas, por mais que procuremos a felicidade noutros corpos e sorrisos, a vida juntou-nos aos dois – paradigma incontestável. Todos os que encontrei foram réplicas incipientes do teu sismo. Aquilo que foi é nosso e eu guardo-o com carinho como se fosse só a aurora de um dia que está por vir.
Desde que apareceu o Mundo, todos os edifícios, todas as obras de arte, todas as pessoas que viveram, tudo se uniu para que nos encontrássemos naquele dia, naquele lugar. Para que eu te pudesse dizer como gostava daquela música, como o céu estava bonito; para que me pudesses mostrar (...) as tuas canções preferidas. Não achas que o Mundo foi criado há milhões de anos só para poder ter tempo suficiente para se aperfeiçoar e ser um sítio perfeito quando nos encontrássemos os dois? Para que tudo se conjugasse, nada faltasse, para que pudéssemos ter como complemento ao nosso coração os arco-íris, as flores, os perfumes… se não lhe tivéssemos dado tempo, se tivéssemos encarnado quando ainda não havia atmosfera, nunca me poderias ter dito como gostas da chuva e dos trovões. Até os defeitos deste Mundo são as imperfeições mais perfeitas; as imperfeições que tu me disseste querer consertar, as injustiças com que te indignaste e que te fizeram confessar que querias mudar o Mundo.
Eu acredito que nós viémos os dois daquela explosão de que os cientistas falam e que deu origem ao Universo. Não digas nada a ninguém, mas eu acho que a libertação de toda aquela energia que ainda hoje faz os planetas girarem e que deu origem às estrelas, surgiu quando as nossas almas se encontraram a primeira vez; nós viémos da mesma estrela. Vagueámos pelo Céu inteiro, rodopiámos e acelerámos, incendiámo-nos unidos um ao outro e caímos como estrelas cadentes nos ventres das nossas mães. Nascemos depois, ainda ligados um ao outro (...).
Eu gostava de saber o que me dirias se um dia me dissesses exactamente tudo aquilo que me queres dizer. Tudo aquilo que fica por detrás das conversas banais que agora temos. São palavras mal traduzidas de duas almas que se tentam comunicar uma com a outra. Ah, se soubesses a mordaça que coloco todos os dias para não te dizer as saudades que tenho tuas! Quando te falo, bem sei que soa a uma dobragem barata, mal feita. Não acredites naquilo que te digo; a verdade está naquilo que não ouves.
Sabes uma coisa? Estás a ir no sentido contrário. E eu sorrio. Como quando assistimos divertidos à queda iminente de um amigo que, distraído, não viu que lhe puxaram a cadeira. Rimo-nos. Sabemos que não vai acontecer nada de grave porque estamos lá para ampará-lo. Eu vejo-te ir no sentido contrário e não tenho medo porque sei que, à escala temporal do Mundo, será apenas uma fracção de segundo. É inevitável – tu vais descobrir (se é que ainda não descobriste), que o alpendre não fica desse lado. É possível que sejamos só um segundo em tudo o que existe; mas somos o segundo mais longo.
Ela não te vai ajudar a mudar o Mundo (..) Ela não vai ficar acordada contigo a falar sobre as coisas banais do dia-a-dia; coisas sem interesse, que só ficam bonitas na voz do nosso segundo coração (...).
Estou a ver-te do meu alpendre. E sorrio. Tenho saudades tuas, sabias? Nós somos pó da mesma estrela. Devíamos encontrar-nos antes de voltarmos para lá.

Nós viémos da mesma estrela."

domingo, 29 de maio de 2016

A (Des)informação

Hoje em dia é muito comum dizermos que as pessoas estão "mais informadas". O acesso mais fácil a instrumentos como a internet veio possibilitar uma consulta quase ilimitada de dados sobre quase tudo.
A minha questão é: até que ponto tanta informação não será uma forma de desinformação. Nem tudo o que encontramos, seja em revistas, livros ou conteúdos online deve, na minha opinião, ser considerado informação no verdadeiro sentido da palavra - isto se partirmos do princípio que uma pessoa informada é aquela que está correctamente informada.

Por isso, lamento que nos consideremos pessoas muito informadas. Reparem na quantidade de dados errados que circula por esse Mundo fora. A internet veio possibilitar que qualquer um pudesse dizer qualquer coisa e, pior do que isso, tornar essa "informação" disponível para milhões de pessoas, pelo menos potencialmente. A televisão, por exemplo, também pode ser uma falsa fonte de informação se tivermos em conta, por exemplo, a selecção de notícias que é feita - muitas vezes pouco imparcial, tendencialmente sensacionalista e manipuladora.

Esta questão da informação (e desculpem lá a minha veia médica), também é extremamente importante na relação médico-doente. O doente tem direito a ser informado, é verdade. Mas estaremos nós a defender a forma mais correcta de informação? A disponibilização de mais informação é efectivamente a melhor forma de informar alguém? Isto é, será que nesta tentativa de informar bem o doente, se aplica a máxima do "quanto mais melhor"? Ou será mais importante a maneira como o doente é informado?

É uma questão difícil. Eu já cheguei a fazer desenhos aos doentes. Eu já vi outros médicos fazerem desenhos. Porque não se pode esperar, a título de exemplo, que uma pessoa que não tenha estudado anatomia compreenda certos procedimentos cirúrgicos (é normal...). Informamos melhor se lhe descrevermos o processo no íntegra ou se lhe fizermos um esquema que a faça compreender o grosso do que vai acontecer?

Coloco esta questão com a humildade de quem, por vezes, fica na dúvida sobre o que fazer... além de que, a maneira como as coisas são ditas também influencia muito a compreensão daquilo que é dito. A veiculação de informação e, portanto, a comunicação são assuntos difíceis e subvalorizados, a meu ver. Se pensarmos bem, grande parte dos nossos conflitos (e do Mundo, talvez) resulta exactamente de uma má comunicação.

A história da desinformação com que eu iniciei este post (e que já vai demasiado longo), é quase como aquela tendência que existe para achar que as pessoas que falam muito são muito comunicativas... serão mesmo? É que há gente que fala tanto para não dizer nada... 

Portanto, um acesso rápido a muitos dados é, algumas vezes, um verdadeiro perigo, porque temos pessoas seguras de que estão bem informadas a tentar fazer valer as suas verdades com base em conhecimentos muito pouco fiáveis (nem sempre, é claro).

A solução não pode passar, como é óbvio, pela filtração daquilo que é disponibilizado porque, por um lado, isso é praticamente impossível e, por outro, porque seria um atentado ao direito de expressão. Não consideramos tão grave a veiculação de informação falsa e descabida. A liberdade trouxe com ela este efeito perverso de ao "sermos livres de dizer", acharmos que não existem consequências em dizer tudo...


Inté*

sábado, 21 de maio de 2016

O Tempo e outras questões

Quando vamos de viagem e a paisagem é não mais do que uma fracção de segundo, dou por mim a pensar se esse Mundo que passa por nós tão rápido (ou nós por ele...), não será uma espécie de cenário que, uma vez nas nossas costas, se desmorona e dá origem a outra coisa qualquer. Quem me garante que tudo aquilo que eu não vejo não deixa de existir e se reconstrói à medida que eu o olho? Que quando fecho os olhos, a minha realidade se eclipsa para surgir noutro lado qualquer?... Eu acho o Mundo tão abstracto! Toda a nossa existência, o passar dos dias... Para onde vão os dias que passaram e onde estão os que ainda hão-de vir? Se o tempo é um conceito inventado por nós, as horas, os dias, os meses e os anos são apenas ideias que criámos para nos organizarmos porque o tempo é, na verdade, permanente e não um desenrolar sequencial de coisas, porque é que não conseguimos sentir tudo ao mesmo tempo?...


Inté*

sexta-feira, 20 de maio de 2016

O Perfume

Parece que a vontade de escrever vem, sobretudo, quando volto para casa. Já há quase dois meses que não dormia na minha cama de quase sempre.
Hoje de manhã, quando abri a porta e senti o cheiro campestre da Primavera senti uma alegria tão grande! Este cheiro só existe aqui. Quase senti vergonha de já não me lembrar deste aroma que surge com os primeiros dias de Sol e com as primeiras flores.

Desculpa lá Montanha por já não me recordar do teu perfume...

Mas continuas a cheirar tão bem!


Inté*

sábado, 26 de março de 2016

Bruxelas

Sinceramente, já não sei o que dizer sobre os ataques terroristas (e este post já vem com algum atraso). A primeira ideia que me ocorre é a de que este tipo de incidentes não deveria ser alvo de cobertura televisiva; cobertura por rádio seria suficiente. Deve ser muito reconfortante para os cabecilhas deste tipo de acções verem as consequências dos seus actos em todas as estações de televisão. Uma vitória, sem dúvida. A luta contra o terrorismo deveria fazer-se sem grande alarido, de forma forte e consistente mas sem barulho, como se ele fosse um tema secundário. Bem sabemos que não é, mas podíamos combatê-lo também com esta postura de desprezo, mesmo que o sintamos de forma diferente.

Quanto ao resto, parece-me difícil convencer alguém de que não vale a pena ter medo. Mas não vale mesmo. Ir no metro ou no avião a olhar constantemente em todas as direcções à procura de sinais suspeitos vai valer-nos de quê?... Vamos obrigar alguém a sair? A maior vitória do terrorismo é impedir o indivíduo de viver a sua vida e a sua liberdade. Aeroportos fechados, ruas vazias, fronteiras encerradas... parecemos uns bichos encurralados. Como resolver esta situação? Não faço ideia. Mas, aparentemente, também não é assim.


Inté*

sexta-feira, 25 de março de 2016

Cozinhamentos

Cozinhar é uma forma de amar as pessoas. Aprendi isso com a Manhê. A maneira como a Manhê cozinha só pode ser de alguém que gosta muito de nós. Não digo que quem não cozinha não tenha capacidade de amar; não é isso. Cozinhar é só mais uma forma de demonstrar carinho, entre tantas outras. Mas é quase a minha preferida. É por isso que a Manhê fica triste quando não comemos tudo (tal e qual como quando éramos pequeninas...). Quando desvíamos alguma coisa para a borda do prato, é um bocadinho de amor que fica ali sem ser consumido. Eu gostava que a Manhê não levasse isso de forma tão literal... 


Inté*

sábado, 12 de março de 2016

Inspirar fundo

Estupidamente ou não, eu acredito que olharmos coisas bonitas e, sobretudo, que fazermos coisas bonitas, nos torna mais bonitos. Eu acredito que, se os meus olhos pousarem muitas vezes no mar e na montanha, e nas flores e em peças de teatro; que se os meus ouvidos servirem de entrada a melodias bonitas, a gargalhadas, tudo isso fica, de alguma forma em mim; um brilho oculto num lugar qualquer.

Eu acredito que as histórias de vida, as experiências, tornam as pessoas mais preenchidas; tornam-nas mais pessoas. É por isso que, quando tenho esse privilégio de viver dias bonitos, inspiro fundo e com cuidado - o ar também transporta essa magia. E toda a gente sabe que o sangue, para ser purificado, passa primeiro pelos pulmões.



Inté*