Estive a olhar atentamente para os meus sapatos. As suas solas não enganam ninguém: eu tenho um andar estúpido. A minha tendência é gastar mais o lado exterior da sola do que o de dentro. Como é que eu faço isso? Não tenho a menor ideia mas, imaginando a posição que o pé deve assumir para que eu consiga tal proeza. sinto-me uma potencial contorcionista.
Tive uma vez um tutor que me conhecia pelo andar (acho que até já mencionei essa história por aqui. É chato repetir as mesmas coisas, sobretudo para quem lê, mas depois de alguns anos de blogue é quase inevitável. É como aquelas reuniões de família em que as pessoas contam histórias que já ouvimos vezes e vezes sem conta, mas continuamos a agir como se fosse a primeira vez, para evitar indelicadezas. Mas adiante).
O meu andar é igual ao da Manhê, mas o andar da Manhê não é igual ao da Avó. A Avó tem um andar muito delicado e baloiçado, um pezinho à frente do outro, sem erro. Não sei como ela faz ou de onde lhe vem essa música. Já nós, não herdámos tanta elegância. Eu pelo menos, insisto num andar que a mana chama de "andar à pato" e não levanto suficientemente os pés. Pés muito assentes na terra... se calhar, às vezes, deviam levantar mais um bocadinho.
Inté*