segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Esse conceito do "overthinking"...

Eu tenho uma cabeça hiperactiva. Eu não me considero hiperactiva, mas a minha cabeça é. Oh se é! Quase parece uma entidade separada de mim... E, para melhorar as coisas, é predominantemente nocturna. Quantas vezes eu me deito e tudo aqui em cima fervilha: revejo os doentes, os exames que pedi, penso no pessoal lá de casa, no que hei-de fazer para comer no dia seguinte, nas coisas que disse, que fiz... a minha cabeça dá comigo em maluca. Sabem aquela história de "calar a mente"? Sentarmo-nos durante cinco minutos e não pensar em nada? Mas afinal, o que é isso?! Porque eu não me lembro de alguma vez ter conseguido não pensar em nada. E quando me esforço para o fazer... ai Jesus, parece que se levanta um tornado cá dentro!

"Vá lá Estudante, não penses em nada". E imediatamente me assolam dúvidas de como é possível não pensar, de que eu não consigo fazer tal coisa e então, o suposto exercício de relaxamento, dá comigo em doida! Solto um palavrão (ou dois, assim na loucura)  e volto à minha rotina de neurónios hiperactivos e sinapses autónomas. Eu acho que esta cabeça dava luz se ligada a um dispositivo próprio. Não pelas ideias, mas antes pela sua incessante actividade.

Que caraças, como eu gostava de às vezes, conseguir desligar o andar de cima!



Inté*

...

Considero-me uma pessoa bastante pacífica.

Mas, ah, saudade! Eu matava-te já e alegava legítima defesa!


Inté*

domingo, 7 de agosto de 2016

Alguma coisa está mal...

Vivemos à base de comprimidos. Se queremos ter memória, tomamos comprimidos; se queremos ser magros, tomamos comprimidos; se não temos apetite, tomamos comprimidos; se estamos tristes, tomamos comprimidos...

Os comprimidos quase substituíram as pessoas. Já não temos direito a estar tristes; deixou de ser natural estar triste na sequência da perda de alguém. E então, mais um comprimido quando, na verdade, o que falta é uma companhia. Tanta gente sem ninguém que vive à base de antidepressivos quando, na verdade, o melhor antidepressivo era um abraço, um carinho. Subvalorizamos as pessoas; sobrevalorizamos os fármacos. Porque ir ao médico e não levar uma receita é inaceitável. Porque um ben-u-ron não chega; é preciso um nome mais sonante, uma coisa mais cara. Mas se o comprimido é caro, também não há dinheiro para o comprar... a menos que seja Calcitrin, esse vale a pena.

Vejam bem que até vendemos comprimidos pela televisão! Estamos a banalizar o uso da medicação e a torná-la a alternativa (indesejável, a meu ver) a estilos de vida saudáveis e a valores e princípios, como a solidariedade social. 

Douramos a pílula e tomamo-la também.


Inté* 

Confesso...


... eu e os Domingos nunca tivémos uma relação fácil.


Inté*

sábado, 6 de agosto de 2016

Vocabulário

Estive a ler alguns dos meus rascunhos aqui do blogue. Alguns são textos inacabados simplesmente porque, ao escrever, sinto que não estou a conseguir passar a minha mensagem. E assim, ali ficam os textos a meio, veículos insuficientes entre o pensamento e a boca. Não vale a pena verem a luz do dia se ficam aquém do objectivo. 

Pensando bem, não sei se teremos vocabulário suficiente para tudo aquilo que queremos expressar... provavelmente, dado o facto de ter sido o Homem a criar as suas palavras, não deve ter atingido o grau de complexidade suficiente. As palavras às vezes, parecem tão pequeninas, tão insignificantes quando comparadas com aquilo que sentimos, que vemos, que ouvimos... é tão frustrante!

E quando assim é, quando as palavras são claramente insuficientes, quanto mais não vale o silêncio! Será que são os nossos gestos que preenchem estas lacunas?...



Inté*

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Quando as coisas são bem feitas




Fotografia tirada pela mana de um banco de jardim em Edimburgo. Muitos deles têm estas plaquinhas de metal com dedicatórias. Esta era das mais bonitas.


Inté*

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Surpresas

Provavelmente, existirão poucas coisas capazes de nos preencherem tanto como uma viagem. Viajar, ouvir línguas diferentes, ver pessoas diferentes, descobrir novos hábitos, descobrir diferenças em pequenos pormenores... é tão refrescante e libertador!

É certo que hoje em dia, com o acesso que temos às tecnologias, que nos permitem visitar um lugar mesmo antes de o podermos fazer presencialmente, o factor surpresa acaba por ser sempre um pouco atenuado. 

Acho que, apesar de todas as vantagens deste nosso Mundo tão informatizado, uma das possíveis desvantagens é que quase nada nos é desconhecido: já ouvimos falar, já vimos na televisão, já vimos fotografias... claro que ver através de um ecrã de computador ou de uma televisão nunca é a mesma coisa do que fazê-lo presencialmente. Mas um dia, eu gostava de experimentar uma surpresa verdadeira, daquelas que provavelmente as pessoas tinham há um século atrás quando, por exemplo, deixavam o interior do país para visitar o litoral; quão extraordinário seria ver o mar pela primeira vez! Esta é uma sensação que nós, provavelmente nunca teremos, pelo menos não na magnitude em que os nossos antepassados a vivenciaram.

Invejo-os por isso... eu queria ter aquela sensação de surpresa que nos rouba um batimento cardíaco ou dois.



Inté*