Eu tenho uma cabeça hiperactiva. Eu não me considero hiperactiva, mas a minha cabeça é. Oh se é! Quase parece uma entidade separada de mim... E, para melhorar as coisas, é predominantemente nocturna. Quantas vezes eu me deito e tudo aqui em cima fervilha: revejo os doentes, os exames que pedi, penso no pessoal lá de casa, no que hei-de fazer para comer no dia seguinte, nas coisas que disse, que fiz... a minha cabeça dá comigo em maluca. Sabem aquela história de "calar a mente"? Sentarmo-nos durante cinco minutos e não pensar em nada? Mas afinal, o que é isso?! Porque eu não me lembro de alguma vez ter conseguido não pensar em nada. E quando me esforço para o fazer... ai Jesus, parece que se levanta um tornado cá dentro!
"Vá lá Estudante, não penses em nada". E imediatamente me assolam dúvidas de como é possível não pensar, de que eu não consigo fazer tal coisa e então, o suposto exercício de relaxamento, dá comigo em doida! Solto um palavrão (ou dois, assim na loucura) e volto à minha rotina de neurónios hiperactivos e sinapses autónomas. Eu acho que esta cabeça dava luz se ligada a um dispositivo próprio. Não pelas ideias, mas antes pela sua incessante actividade.
Que caraças, como eu gostava de às vezes, conseguir desligar o andar de cima!
Inté*
