quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Dão-me licença que eu diga uma coisinha?

Todos nós somos importantes, está bem? A importância não tem nada a ver com o dinheiro ou com o poder. Muitos vezes e até inconscientemente, nos vemos num patamar inferior ao de outras pessoas porque pensamos (ou somos levados a pensar) que há dois grupos de pessoas: os importantes e os normais ou não importantes. Ora, acontece que todos nós somos importantes; não é só o senhor Juiz, o senhor Doutor ou o senhor Presidente que são alguém com importância. Cada um de nós é importante para alguém. Porque é que o facto de eu ser importante para a minha família vale menos do que a importância que tem um Juiz? Qual é a régua, ou o critério em que nos baseamos para discriminar o grau de importância?... E se achamos que não somos importantes para ninguém, existem muitas formas simples de passarmos a sê-lo: ajudando, intervindo... só não é importante quem não quer.

Portanto, quando alguém nos fizer sentir inferiores ou quando essa inferiorização partir de nós próprios, é só emitir o alerta: ei! Espera aí, eu sou importante! Por mais que as coisas possam correr mal ou não correrem conforme o planeado; por mais que certas pessoas queiram colocar-se acima de nós, esta é uma ideia que devemos ter bem assente. E sermos conscientes do nosso valor não é falta de humildade nem é pecado. Na verdade, tenho a certeza de que a falsa modéstia é quase tão má quanto o ego desmedido. Sejamos assertivos, não é verdade? E cientes daquilo que somos e do que podemos fazer. Só assim temos capacidade para fazer uso dos nossos dons e capacidades.



Inté*

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Das coisas mais bonitas que já vi! cof cof

Vocês têm de ver isto! Uma pérola da televisão portuguesa:



Reparem como todos os elementos se alinharam para fazer desta actuação um fiasco, no pleno significado da palavra. O talento da cantora é inquestionável, mas atentem na bailarina: não poderia ter havido melhor escolha! Movimentos delicados, ritmados, de um sensualismo hipopótamo. 
Maravilhoso! Depois, a acompanhar a estupenda voz, a artista presenteia-nos com uma postura irrepreensível de quem sabe estar em palco, interagindo com o público e, inclusivamente, com os anfitriões, num à vontade admirável!

Isto é cultura, meus amigos, cultura! 
Não têm que agradecer.


Inté*

Feriado, que bom ter-te de volta!

Já diz o povo "no meio é que está a virtude", e quando é o feriado que está mesmo ali no meio da semana então, é virtude e alegria. E hoje é feriado porque comemoramos a Implantação da República Portuguesa; qualquer dia, quando tivermos outro regime, este feriado é abolido mas não fiquem tristes! Porque, desaparecendo o 5 de Outubro, há-de aparecer outro a comemorar a implantação de outra coisa qualquer.

O curioso é pensarmos que o feriado do 5 de Outubro já esteve inactivo durante algum tempo e que só este ano foi recuperado. Não sei qual o critério para abolir feriados, mas a abolição do feriado que marca o fim da Monarquia Constitucional parece-me grave e portadora de uma mensagem subliminar que eu ainda não consegui decifrar...

Mas deixemo-nos de teorias da conspiração e aproveitemos bem a folga, não é verdade? (não vão eles lá de cima pensar que, não sendo aproveitado ao máximo, podem subtrair o feriado outra vez...).



Inté*

terça-feira, 4 de outubro de 2016

O Pipo

O Avô faz vinho desde que me lembro. Escolheu as castas com o maior cuidado, enxertou aquelas que lhe pareciam as mais adequadas e, depois de muitos anos, o vinho do Avô é o sumo de uma selecção muito especial e de um trabalho muito cuidado. E tanto orgulho que ele tem nele!

A adega, como nós lhe chamamos, é uma divisão pequenina, de chão de cimento e paredes mal rebocadas, onde está o tanque do mosto, a cuba e o grande pipo de madeira. É um sítio muito tosco, relativamente mal iluminado e, por isso, com uma atmosfera muito própria, que sempre exerceu em mim um fascínio muito particular. Nas paredes há de tudo um pouco: garrafões empilhados, alfaias agrícolas, badalos e, até há uns anos, costumava haver também uma bola de sebo com que se vedava a torneira do pipo.

Mas o elemento mais mágico de todos era a escada. Na parede contrária à da porta da entrada está uma escada estreita de ferro que dá para uma arrecadação superior onde só se consegue andar de gatas. E eu só pude espreitar a arrecadação uma vez; cheia de pó e coisas velhas, que eu não sabia bem o que eram... era um mundo!

À medida que fui crescendo, as coisas foram ficando mais pequeninas, nomeadamente o pipo de madeira; a escada já não sobe até ao céu e já não existe a bola do sebo. Mas a adega é "A" adega e, nesta minha cabeça que de adulta só tem a idade, ainda é um sítio onde acontecem coisas estranhas.



Inté*

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A Ternura



Não consigo imaginar alternativa mais feliz. A não ser claro, dizê-lo sempre, com Alzheimer ou não.


Inté*

Quando os médicos ficam doentes...

Na verdade, eu não estive doente. Mas, há pouco mais de uma semana, fui sujeita a uma pequena cirurgia. Nunca tinha sido o alvo de um bisturi e, portanto, não ía completamente relaxada mas estava confiante de que ia correr tudo bem.

Entretanto, durante o procedimento, pude sentir alguma dor, mas era perfeitamente tolerável. Estava tudo sob controlo e eu estava orgulhosa da minha pessoa. Eu estava mesmo a conseguir manter-me calma mas o cirurgião trocou-me as voltas quando me perguntou se eu teria algum problema de sangue... "Mauuu!" pensei. "Estava eu a portar-me tão bem, com tudo tão controlado, e agora vens tu estragar-me o esquema todo??".
Respondi-lhe que não; até ao momento, não tinha conhecimento de nenhuma alteração. "Ok. É que estás a sangrar mais do que o suposto...".

"Uau! Vejam bem como ele consegue ser tããão animador!..." 

Bem, com sangue ou sem sangue aquilo terminou e quando me levantei a sala girou um bocadinho, mas lá me voltou a cor às bochechas. "Estou cá até às nove e meia, se precisares. Se vires que o penso fica muito sujo, podes vir ter comigo."

Agora digo-vos a verdade: eu fui para casa cagada de medo. Mas por que raio pá, aquilo haveria de sangrar? Ía morrer por causa de uma coisa tão insignificante!! Dei por mim envolta nestes pensamentos mais obscuros quando a razão passou por mim: oh rapariga, tu sangras todos os meses pá, e ainda não morreste. Deixa-te de m*****.

E foi remédio santo.


Inté*

domingo, 2 de outubro de 2016

Lição de Anatomia

Eu tenho um carinho especial pela Cardiologia. Não consigo evitar romantizar a especialidade que cuida dos corações embora, claro está, saiba perfeitamente que os Cardiologistas cuidam do coração enquanto bomba propulsora e que aquela parte do coração que realmente nos mantém vivos - aquela do amor e das emoções - não tem merecido destaque entre as especialidades tradicionais.

Talvez então, tenhamos dois corações ou, quem sabe, uma espécie de alma que circula discretamente neste espaço físico e cujas manifestações sistémicas não são assim tão discretas...

Mas reparem como o coração é um órgão maravilhoso: provavelmente, é a única coisa que temos que quanto mais cheia, mais leve. Quanto mais guardamos nele, quanto mais carinho ele tem, menos pesado se torna. Não é extraordinário? O nosso coração é relativamente pequeno, sabem? Mais ou menos do tamanho do nosso punho fechado e, ainda assim, trabalha incessantemente, durante toda a nossa vida, com um ritmo que se adequa à música da nossa vida: umas vezes mais acelerado, outras vezes aos pulinhos... Não tenho dúvida contudo, que é um órgão muito feliz.


E por falar em coração cheio, hoje a minha pessoa favorita faz anos! Muitos Parabéns, Manhê :D



Inté*