quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Isto anda a ficar redundante...

Quando era pequena, Manhê comprava cassetes VHS com os filmes da Disney. Eu fui criada assim, nesse mundo de contos de fadas e com uma Mãe que conseguia verdadeiras magias, como fazer a dor ir embora apenas com um beijinho. Não tinha, portanto, motivos para desconfiar da veracidade das fadas madrinhas e de outros que tais.

Por mais que assistisse a esses filmes, vezes e vezes sem conta, acreditava sempre que as partes más iam ser diferentes (por exemplo, que o Mufasa não cairia no desfiladeiro ou que o pai do Bambi afinal, não tivesse sido morto). Agora, pensando nisso, sorrio perante tamanha ingenuidade. Eu tenho saudades desse tempo. Sinceramente. Quando somos pequenos, tudo é possível. E a capacidade que temos para vermos oportunidades em tudo é extraordinária! Qualquer sala de espera, qualquer consultório, qualquer restaurante, por mais exíguo que seja, por mais despojado que seja de materiais e utensílios, rapidamente se transforma numa selva cheia de índios, num deserto com cavalos e cowboys. Não há nada que desmobilize e desmotive os bandos de pardais da brincadeira, das histórias, das aventuras. E mais: quando somos pequenos, todos são potenciais amigos (facto que, na idade adulta, é completamente tido do avesso).

Verdadeiramente, eu admiro os mais pequenos. São realmente seres especiais, com uma mente tão diferente, tão... mágica! Por isso, às vezes, lamento ter crescido. Lamento fazer parte deste grupo dos adultos que, não raramente, são um resquício apagado da criança que foram. Ficamos chatos, sem cor, medrosos... bah. Uma seca. Eu lembro-me de ser Estudantinha. Eu não sinto que, de repente, parte de mim se tenha perdido pelo caminho do meu crescimento. Há um laço entre o que eu fui e o que sou. Logo, ela tem que estar aqui algures, essa luzinha que é só o melhor eu que eu já fui.



Inté*

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Aceitam-se apostas!

Que som é aquele que se ouve quando desligamos o Skype?



Inté*

[EDIT a 27/10]: eu acho que é um bocejo e fico ofendida. Porque me parece daqueles bocejos que soltamos quando estamos aborrecidos de morte. Como se a conversa tivesse sido o expoente máximo do tédio, apenas tolerada por cortesia... bem, seja lá o que for, o que é que isto interessa para o Mundo, não é verdade?

domingo, 23 de outubro de 2016

Remendos

Cá em casa há uma caixa de costura porque é preciso remendar as coisas. Cosem-se buraquinhos, pregam-se botões, recose-se o que, por algum motivo, se descoseu. Há sempre aquela tentativa de substituir o "velho" e o "gasto" por outras peças novinhas em folha, sem retoques, sem cicatrizes. Mas o remendado não deixa de ter um certo encanto, não acham? Há qualquer coisa ali que nos remete para o passar do tempo, para uma história... que nos recorda a resiliência perante as adversidades que vão deixando pequenos buracos e imperfeições.
Ao fim e ao cabo, até nós sofremos alguns remendos ao longo da vida - mal de nós se assim não fosse! Vivermos até à morte tal como viemos a este Mundo, imutáveis, sem uma correcção, sem uma mudança de rumo. Quando as pessoas batem à porta dos nossos dias, trazem com elas todos os seus remendos: memórias, cicatrizes, traços que são só delas. E são mais bonitas, por dentro e por fora, se forem assim, com histórias por contar. Tão bom quando juntamos remendos!...



Inté*

PS: vocês são mesmo boas pessoas... o meu post anterior não deixa de estar revestido por alguma ironia e exagero, inerentes a qualquer caricatura. O episódio que vos descrevi, foi um episódio caricato e que nos valeu valentes gargalhadas, mas vocês focaram essencialmente, o lado sério da coisa. A "revolta" que mencionei não é por acaso que está em itálico; não nos podemos revoltar sempre quando as coisas correm mal, se seguem o esperado e expectável. Por vezes, a expectativa desmedida e a esperança irreal são mais prejudiciais do que benéficas. Já aprendi a não me revoltar tantas vezes e a aceitar em Paz o rumo de muitas coisas.

A impulsividade é uma coisa muito bonita...

Durante a nossa formação enquanto Internos, para além do trabalho hospitalar propriamente dito, é necessário fazer outro tipo de trabalhos, nomeadamente, escrever artigos, fazer posters, fazer apresentações orais... e por aí fora. No nosso hospital, as apresentações de casos clínicos são feitas, geralmente, às 6ª-feiras de manhã. 

Tenho um colega que tem apresentado casos muito complexos e, infelizmente, os casos com que nos tem brindado são de doentes com patologias graves, que acabaram por falecer. Ora, na passada 6ª-feira, o meu colega fez uma nova apresentação. Fiz figas para que desta vez, tudo acabasse bem. Estava esperançosa de que, apesar do mau prognóstico que se adivinhava à medida que ele expunha o desenrolar da história, o doente ainda estivesse vivo. Mal (a menos que tivesse havido um milagre!), mas vivo. Infelizmente, esta minha esperança não se concretizou. No momento em que o colega nos diz que "o doente acabou por falecer", tudo em mim foi desilusão e revolta (Grrr! Outra vez?!) e, no silêncio da sala onde se encontrava a maior parte do staff médico do Serviço, Estudante bate com o punho cerrado na cadeira e exclama: FOGO!

Um "fogo" que exprimiu toda a minha frustração e desilusão por ver que, mais uma vez, a história tinha acabado mal. Foi uma gargalhada geral, como seria de esperar. Mas que hei-de eu fazer, foi mais forte que eu... saiu-me!

Na tentativa vã de explicar o ultraje que senti, argumentei: as Histórias não acabam assim! Nas Histórias de verdade, as pessoas não morrem...



Inté* 


Uma adenda: os casos são apresentados de forma anónima, isto é, a plateia não tem conhecimento da identidade do doente. Neste tipo de exposições orais, os casos clínicos servem apenas como uma introdução para uma revisão teórica posterior ;)

sábado, 22 de outubro de 2016

Race: 10 segundos de Liberdade

E por falar em filmes, este que refiro no título, relata a história de Jesse Owens, com enfoque na sua participação nos Jogos Olímpicos de 1936 em Berlim, Jogos esses que a Alemanha Nazi viu como uma oportunidade de propaganda à alegada superioridade da raça Ariana. É um filme que nos toca pelo testemunho de força, perseverança e fair play. Fiquei a admirar Jesse Owens (impossível não admirar este senhor!) mas na minha opinião, a maior bofetada de luva branca foi da responsabilidade de Lutz Long, atleta alemão que, para grande desagrado dos Nazis, estabeleceu uma forte amizade com o seu adversário americano.
Um filme que vale muito a pena!







Inté*

Bons tempos




O difícil era escolher!...


Inté*

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Ideias

Aqui há uns dias, o meu tutor dizia que "as Religiões dividem as pessoas".
Não é uma ideia que eu nunca tenha ouvido, mas é uma afirmação com a qual discordo completamente. As Religiões, no seu âmago, apelam à Paz e à união entre as pessoas. Aquilo que as pessoas fazem com a sua religião, e a forma como a usam para justificar os seus actos, é outra conversa. Quem quiser optar pelo mal, encontra sempre pretextos, mais ou menos estúpidos, para segregar as pessoas: a cor da pele, a língua, o ordenado, a carreira...

Imaginemos as religiões como um amontoado de pedras. Uns, utilizam-nas como armas de arremesso; outros, constroem muros e há quem construa pontes. Onde está o factor de variabilidade? Nas pedras?...




Inté*