domingo, 30 de agosto de 2015

Refugiados

Nas últimas semanas temos sido frequentemente alertados, através dos media e redes sociais, para o número quase inacreditável de pessoas que têm tentado chegar à Europa, na esperança de escaparem aos conflitos que se vivem nos seus países. Muitas delas, infelizmente, acabam por morrer sem alcançarem o seu objectivo...

Numa tentativa de minorar esta situação tão infeliz, decidiu-se que os países Europeus deveriam acolher um certo número de refugiados, sendo que Portugal deverá acolher 1500 refugiados num período de dois anos.

Apesar do número irrisório, "tendo em conta que todos os dias chegam cerca de 2500 pessoas só à Grécia", muitos se têm insurgido contra esta decisão, numa manifestação que pessoalmente, classifico de egoísta e xenófoba. É certo que não somos um país rico, no sentido economicista da palavra, e que muitos portugueses têm passado por numerosas dificuldades. Mas estamos a falar de seres humanos que não têm rigorosamente nada e que, mesmo sabendo que a viagem clandestina lhes pode roubar a vida, tentam desesperadamente chegar a território europeu. Somos mesmo capazes de fechar as portas a estas pessoas, como se fossem seres inferiores e forasteiros?... Que cinismo é este? Todos os dias vemos como as pessoas defendem a paz no Mundo e o carinho e respeito pelos outros; talvez seja hora de começar a colocar todos esses ideais em prática!

Apesar de perceber que o conceito de "fronteira" seja necessário à organização do Mundo tal qual o conhecemos, assusta-me que todas as fronteiras que criámos funcionem mais como muros do que como portas e passagens... falamos dos refugiados como se eles não pertencessem aqui, como se circulassem fora de mão. Mas o Mundo é de todos, ou não? Pergunto-me que direito temos nós de vedar ou dificultar a entrada de seres humanos que viram o seu país implodir às mãos de políticas ocidentais...

Penso que a melhor forma de encararmos este problema tão grave e tão vergonhoso tendo em conta o século em que vivemos, é considerarmos ter à nossa frente uma oportunidade de realmente contribuirmos para um Mundo melhor e de repensarmos algumas das nossas políticas.

Não somos um país com grande capacidade económica, é verdade. Mas podemos ser ricos em valores e Humanidade; já o demonstrámos várias vezes. Podemos demonstrá-lo novamente.

Mais informações aqui.


Inté*


8 comentários:

Lia disse...

É realmente pena que tenhas começado o teu post com um "nas últimas semanas". O erro não é teu. É de quem só nas últimas semanas fala disto.
Há quase 2 anos que estive a viver em Espanha e lá, já nessa altura, TODOS OS DIAS, os telejornais abriu com as CENTENAS de pessoas que entravam por Ceuta. Muitos morreram (e vão continuar a morrer). Os que continuam a conseguir entrar faz-se-lhes o quê?

Eu percebo o teu ponto de vista... Sim, é egoista não os aceitar, mandá-los de volta ou mandá-los para outro lado qualquer, mas também tocaste num ponto importante: nós aqui, em Portugal, não temos condições para nós. Como vamos ter para outros? Como vamos sequer reagir bem quando muitos desses refugiados têm melhores "oportunidades" e "condições" que muitos dos que nasceram, viveram e hão-de morrer aqui?
O nosso Estado não nos dá a nós as condições básicas para viver (muitos apenas sobrevivem), como vamos nós aceitar que DO NADA aparecem condições para albergar 1500 pessoas?

É um assunto complicado e dificil de debater!

Gata disse...

Eu concordo totalmente contigo! E acrescento uma coisa que parece que muita gente não sabe: Portugal vai receber dinheiro por cada uma dessas pessoas! Queria vê-las a passarem pelo que estes desgraçados passam, a serem torturadas e violadas, para ver o que achavam... Enfim.
Beijinhos, boa semana :)

esperto que nem um alho disse...

Em primeiro lugar, bem vinda ao mundo virtual, de onde, certamente por forças bem reais da vida, tens andado tão arredada.
Já tinha saudades desta lucidez de princípios, tão raros no mundo egoísta em que vivemos.

Não consigo perceber esta visão economicista da vida, quando todos sabemos (saberemos???) que uma pequena percentagem dos impostos que são desviados para os paraísos fiscais, chegava para vivermos bem e sobrava para matar a fome e dar um pouco de esperança a quem já não resta nada.
Aquele pai que veio com um bebé e deixou a mulher e mais quatro filhos para trás, merece tanto respeito como qualquer cidadão que, à noite, conta histórias aos filhos "sobredotados".
Tanta ignorância no meio de tanta opulência, mete dó. :/

Estudante disse...

Lia: repara que eu não digo que o problema teve inicio há várias semanas, eu disse que os media têm noticiado esta infeliz tragédia desde há várias semanas (apesar de ser um problema muito mais antigo, tal como tu disseste). Não posso concordar contigo quando dizes que aqui em Portugal não temos condições para nós. Há, infelizmente, muitas pessoas no nosso país que vivem muito mal. Mas, comparando com quem tem apenas a roupa que traz no corpo, eu considero-me uma sortuda, e tenho a certeza que a maioria de nós se consideraria assim se pensasse um bocadinho. Não estamos a falar de "imigrantes comuns"; estamos a falar de pessoas que abandonaram tudo o que tinham para conseguirem sobreviver. Nestes termos, penso que temos de repensar muito bem o que entendemos por "condições" e nesse ponto, apesar de perceber o que queres dizer, eu não concordo contigo. O que vamos fazer com estas pessoas? Se calhar dar-lhes abrigo e comida até que elas possam encontrar um emprego e ter a sua casa, ou até que voltem ao seu país... quanto ao facto de haver a possibilidade (a meu ver bastante remota) de estas pessoas poderem um dia virem a viver melhor que nós, isso pouco me apoquenta quando a prioridade agora é garantir que estas pessoas não morram. A prioridade é essa. Se um dia alguns deles conseguirem viver melhor do que eu, ainda bem. Eu não vou é negar ajuda a alguém com o receio de que um dia eles cheguem mais longe na vida do que eu.
Não me parece um tema assim tão controverso; se existe a possibilidade de salvar alguém da morte, tráfico humano entre outros, a nossa resposta deveria ser sempre sim, nem que para isso passássemos a fazer apenas uma refeição por dia.

Gata: ainda por cima! Não sabia dessa... sim, tens razão. Eu acho que andamos a perder a noção do essencial :\

Esperto que nem um alho: obrigada pelas boas vindas ;) sim, tens toda a razão. Andamos tão ceguinhos... assim não vamos chegar muito longe. Como é que alguém se nega a ajudar outra pessoa sabendo que ela pode morrer por causa disso? Eu não consigo compreender.

Jedi Master Atomic disse...

Eu estou ali no meio entre ti e o que a Lia escreveu, ou seja, não quero que o meu governo se meta a dar condições a refugiados que não tenha dado "à malta de cá". E estamos a falar de algo simples como algo para comer e uma tenda para dormir, nem é pedir muito. Se já deu à "malta de cá" então muito bem que dê aos refugiados.

agri disse...

Há fundos comunitários aos quais Portugal vai recorrer para financiar a vinda dos migrantes.

Assustam-me os comentários xenófobos. Será que não percebem que são pessoas como nós, que fogem, sabe Deus, de que condições de vida, que tiveram uma sorte em não morrer no mediterrâneo, que foram roubadas por quem lhes vendeu a viagem...

Se estivesse no lugar deles, acho que ficava agradecida por poder viver em paz...

esperto que nem um alho disse...

Só a incompetência pode gerar insegurança em relação aos refugiados e emigrantes. Quem nasceu com dois braços para trabalhar e uma cabeça para pensar em algo mais que não seja "como dá-la para o primeiro que aparecer", não tem medo dos emigrantes. Até porque esses supostos postos de trabalho que os refugiados nos vêm "roubar", normalmente são aqueles que as pessoas que se julgam importantes só porque tiraram uma licenciatura ao domingo, não estão dispostas a aceitar.
Dantes éramos um país de emigrantes analfabetos. Hoje somos um país de ignorantes com diploma.

Estudante disse...

Jedi Master Atomic: eu percebo a tua ideia, Jedi :) mas se esperarmos que 100% das pessoas em Portugal tenham um tecto, por exemplo, para poder ajudar os imigrantes, nunca mais os vamos conseguir ajudar... se houver quem se ofereça para ajudar e para acolher essas pessoas, acho que devemos incentivar esse tipo de gesto :)

agri: sim, é verdade. Não acredito que eles "exijam" as condições que nós muitas vezes exigimos (internet, televisão, roupas de marca...); estas pessoas, provavelmente, ficarão felizes se tiverem o que comer e um sítio onde possam dormir sem correrem o risco de levar um tiro.

esperto que nem um alho: tens razão :P infelizmente, o mais provável é que eles ocupem postos que aqui ninguém quer ocupar... tudo aquilo que dizes, no fundo, acontece exactamente pelo facto de a maioria das licenciaturas, hoje em dia, serem apenas um canudo para ostentar. Continuamos bastante ignorantes e preconceituosos.