terça-feira, 23 de agosto de 2016

Sem floreados

Todos os dias há doentes que têm alta e que não regressam a casa porque o cuidador (familiar ou outro) se recusa a levar o doente para casa (e não me refiro a situações em que não existem condições para acolher o doente...). Por mais que lhes seja explicado que o doente não cumpre critérios para ser reencaminhado para unidade de convalescença ou unidade de cuidados integrados, insistem que não o levam. E pronto. E fazem-no porque sabem que nós não vamos pegar no doente e pô-lo à porta. Ficamos então encarregues de procurar algum local que possa acolher o doente. Enquanto isso, temos uma cama inutilmente ocupada que poderia servir a alguém que realmente necessita de cuidados hospitalares; enquanto isso, são dias e dias (às vezes, semanas!) de internamento, com todos os custos associados, sem qualquer necessidade. As despesas em saúde são muito elevadas? Não compreendo porquê... E enquanto isto, os cuidadores permanecem completamente impunes e sem qualquer tipo de consequência perante uma atitude de abandono.

O abandono de doentes idosos é muito, muito frequente. Mas não tem tanto impacto em nós enquanto sociedade como tem o abandono dos animais. Nem causa tanto impacto como causaria o facto de, se de repente, os pais começassem a abandonar os filhos a torto e a direito nas enfermarias de Pediatria. O abandono dos idosos não tem este impacto porque são velhos. São pessoas que já foram esquecidas, que são um peso, um incómodo... é bem patente neste tipo de situações o desprezo que damos às pessoas da terceira idade.

Portanto, e para terminar, nós vivemos num país que pode punir com pena de prisão quem abandona um animal de companhia (e muito bem!), mas que não criminaliza o abandono de idosos nos hospitais e não cria meios de ajuda para quem não os quer abandonar. 

Perfeito.



Inté*

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Conclusões

Talvez o ser Humano não seja tendencialmente bom. Já estive certa de que éramos intrinsecamente bons (e acho que até escrevi sobre isso!), mas tendo em conta o estado do Mundo e as coisas que ouço todos os dias, é impossível conseguir acreditar que nascemos bons. Ou então, não nascemos bons nem maus mas algo nos leva, tendencialmente, a optar pelo pior caminho. 

Bem vistas as coisas, não digo isto com um tom fatalista porque acredito que possuímos uma arma quase infalível para solucionarmos o problema, e essa arma é a educação. Acontece que talvez, nem todos nós estejamos munidos dessa arma. E embora grande parte das pessoas que vemos todos os dias não seja , também não é boa. E não ser mau é claramente insuficiente. Não basta não matar, não roubar... temos de ser realmente bons, mesmo nas coisas pequenas! Termos cuidado com o que dizemos, termos cuidado na maneira como tratamos os outros, sorrirmos mais, ajudarmos mais! Não esquecendo que educar é dar o exemplo. 

Se pensarmos que mais de metade do Mundo está em guerra, reparem nos milhões de crianças que são educadas nesse clima de maldade, de desespero... como é que podemos ter um Mundo feliz nessas condições? E quem não é feliz, maior dificuldade terá em ser bom...

Mas há esperança, claro que sim. Se somos capazes de coisas tão bonitas como a música, a pintura, o voluntariado, é porque temos também em nós qualquer coisa de muito bom.


Inté*

Vou cortar um dedo!

Minha gente, há por aqui uma equipa de Cirurgia que é coisinha para alegrar a vista.

Estou capaz de cortar um dedinho.
O mindinho, vá. Só assim um corte de três pontinhos...



Inté*

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Elogios

CUIDADO: vou ser má. E crucificada talvez, mas vou ter de desabafar convosco porque é algo que está aqui dentro, muitas vezes adormecido, é certo, mas que as redes sociais insistem em despertar em imensas ocasiões, e me deixa doente.

Vocês sabem que o valor dos elogios é muito relativo, certo? Por exemplo, elogios vindos da mãe ou da avó devem ser sempre alvo de um atento escrutínio, dada a sua clara falta de imparcialidade. A Manhê e a Avó também dizem sempre que eu sou muito linda e isso em mim já não tem efeito extremamente nenhum (talvez entre -10 e zero, vá) porque eu sou uma pessoa com um espelho redondo na casa-de-banho e porque sei que a realização pessoal não passa por uma carinha laroca e, portanto, convivo bem com a minha ausência de beleza (ausência de beleza... Não é o mesmo que ser-se feio). 

Ora bem, acredito que a maioria de vocês tenha Facebook (essa coisa inútil que eu não desactivo porque me ajuda a recordar alguns eventos e datas de aniversário) e, portanto, estarão familiarizados com esse fenómeno que eu muito carinhosamente apelidei de "mentira descaradona". E que fenómeno é esse, Estudante? Passo já a explicar.

Sabem quando alguém coloca uma fotografia e surgem comentários como "que linda!", "Uau! Que gata", "Estás maravilhosa", e outros que tais, que fazem alusão a uma beleza inexistente, cuja visualização só pode ser explicada por um amor incondicional por parte de quem escreve ou por interesses doutro tipo? Não vos faz confusão?... ver como a pessoa não foi abençoada por Deus com os pós da beleza e, ainda assim, é alvo deste tipo de comentários? Eu acho ofensivo... porque é mentira, claramente!

Todos nós já fomos vítimas deste tipo de comentários, certo? Mesmo até em reuniões de família. E é tão constrangedor! Eu acho quase ofensivo que alguém me elogie desta forma porque, ou a pessoa quer ser agradável, ou é zarolha de todo.

Mas há elogios piores! Também já devem ter reparado naqueles indivíduos que, e isto é mais frequente nas felicitações de aniversário, elaboram grandes discursos em que o visado é a "melhor pessoa do Mundo", "com um coração enorme", "super inteligente", "grande amigo" bla, bla, bla... e vocês assistem impotentes a algo que sabem ser completamente mentira e sem sentido nenhum mas não são capazes de desmentir. Enfim.

Há formas de elogiar sem mentir. Podemos dizer que gostamos do vestido, do anel, do corte de cabelo... não é preciso dizer ao Shrek que está bonito, compreendem?
E quanto às qualidades da pessoa, idem. A pessoa é amiga dos animais? Tudo bem, óptimo! É altruísta, ajuda os outros... podemos ficar por aí. Não é preciso dizer que é boa em tudo o que faz, que tem um QI  acima da média. Cada um é o que é e isso é que tem valor.

Atribuir a alguém qualidades que não tem é menosprezar aquelas que realmente possui, compreendem? Como se não fossem suficientes! Como se, para além daquilo que é, devesse ser mais alguma coisa...

E isso está mal, caramba.



Inté*

Meu querido mês de Agosto

O mês de Agosto é, por tradição, o mês das férias. Grande parte das pessoas está neste momento a relaxar algures sob um Sol estupendo e ao som das marés. Mas isso significa também que o pessoal no serviço está reduzido e que aqueles que asseguram o bom funcionamento das instituições se vêem um pouco mais sobrecarregados do que o normal.

Trabalhar em Agosto é então difícil por dois motivos: porque vemos a malta toda a ir de férias e porque temos mais trabalho.

Assim, "Meu querido mês de Agosto" é o nome de código desta missão que é trabalhar com menos colegas, com muito mais doentes (a população aumenta bastante com os emigrantes que voltam a casa e com os turistas) e com muito mais calor. Objectivo: sobreviver mais duas semanas.

Mais duas semanas para eu poder envergar uma medalha de honra com a inscrição: eu sobrevivi ao querido mês de Agosto.



Inté*

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A Ponte dos Espiões




Durante a Guerra Fria, um advogado Americano é incumbido da defesa de um espião Soviético e posteriormente, auxilia a CIA nas negociações para a troca deste espião por um piloto Americano capturado após um acidente de avião.

Uma descrição muito breve (e aquém) deste grande filme onde, mais uma vez, Tom Hanks demonstra que é um dos melhores actores de sempre e, obviamente, Steven Spielberg nos brinda com uma produção extraordinária.

Adorei o filme!


Inté*

domingo, 14 de agosto de 2016

Porque hoje é Domingo...

...e é preciso encher o coração de coisas bonitas.










Inté*