domingo, 7 de agosto de 2016

Alguma coisa está mal...

Vivemos à base de comprimidos. Se queremos ter memória, tomamos comprimidos; se queremos ser magros, tomamos comprimidos; se não temos apetite, tomamos comprimidos; se estamos tristes, tomamos comprimidos...

Os comprimidos quase substituíram as pessoas. Já não temos direito a estar tristes; deixou de ser natural estar triste na sequência da perda de alguém. E então, mais um comprimido quando, na verdade, o que falta é uma companhia. Tanta gente sem ninguém que vive à base de antidepressivos quando, na verdade, o melhor antidepressivo era um abraço, um carinho. Subvalorizamos as pessoas; sobrevalorizamos os fármacos. Porque ir ao médico e não levar uma receita é inaceitável. Porque um ben-u-ron não chega; é preciso um nome mais sonante, uma coisa mais cara. Mas se o comprimido é caro, também não há dinheiro para o comprar... a menos que seja Calcitrin, esse vale a pena.

Vejam bem que até vendemos comprimidos pela televisão! Estamos a banalizar o uso da medicação e a torná-la a alternativa (indesejável, a meu ver) a estilos de vida saudáveis e a valores e princípios, como a solidariedade social. 

Douramos a pílula e tomamo-la também.


Inté* 

12 comentários:

Cherry disse...

O teu texto é tão verdade. Valorizamos de mais os medicamentos, e achamos que estes nos vão ajudar a encontrar a felicidade. Eu acho os antidressivos um absurdo, se uma pessoa teve uma depressão porque perdeu alguém, o que ajuda mesmo é a companhia, como disseste.
Eu só tomo o estritamente necessário, a pílula por causa do acne, e medicamentos para as enxaquecas.
Beijinhos,
Cherry
Blog: Life of Cherry

Estudante disse...

Cherry: claro que existem casos em que os antidepressivos são necessários :) mas tenho a certeza que muitas situações que levam à depressão (ou a estados deprimidos), poderiam ser evitadas se nos apoiássemos uns aos outros :/
Ui, enxaquecas! São terríveis :P

Teresa disse...

Olha, agora é que escreveste uma grande verdade!
Também só tomo comprimidos para uma dor de cabeça esporádica e a pilula.
Já passei por situações bem lixadas na vida e nunca precisei de antidepressivos. Na verdade estes apenas camuflam as coisas, sem as resolver e mais tarde ao mais cedo teremos de as enfrentar. N aminha opinião, quanto mais cedo, melhor!

Gaja Maria disse...

Muito verdade e é um pena, há tanta alternativa antes dos comprimidos...

Ana Reis disse...

Não podia concordar mais. O facto de sermos um ser biopsicossocial significa também que, embora muitas vezes tenhamos de recorrer a uma regime terapêutico/medicamentoso específico para atingir um determinado objetivo, não podemos deixar de parte a nossa componente psicológica e social.
Ainda que muitas vez não possamos prescindir da medicação, penso que ela não devia ser prescrita com a frequência com que é. E a própria equipa de saúde deve educar a população nesse sentido...

Anónimo disse...

A sério q foste dizer à S* que a blusa del era gira???? Sinceramente. Que parolice.

Psicanalista disse...

-Correcto !

Estudante disse...

Teresa: eu acho que nem se deviam prescrever antidepressivos sem psicoterapia concomitante... mas é a minha opinião :P

Gaja Maria: é verdade...

Ana Reis: nem mais :) plenamente de acordo!

Anónimo: fui pois ;) tudo tem o seu contexto e dadas as romarias do Minho, acho que está bastante adequada :)

Psicanalista: :)

Observador disse...

«Subvalorizamos as pessoas; sobrevalorizamos os fármacos»
É esse o grande problema. Que para ser invertido, carece de uma 'nova educação' bem como de 'novos princípios'.
Impossível? Não, antes pelo contrário. Basta força de vontade, aquela coisa que conseguimos se dermos mais atenção a uma 'máquina' poderosa que temos e que raramente nela pensamos: a mente!

Boa semana, beijinhos.

Linhas Cruzadas disse...

Este post tem tanto de verdade que doí refletir sobre ele...

Estudante disse...

Observador: plenamente de acordo :)

Linhas Cruzadas: :)...

Anónimo disse...

Do melhor!....