quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O tema do momento

Não é difícil que, em situações de crise, a nossa tendência seja romantizar um pouco os acontecimentos. Porque é também em situações de catástrofe e de total caos que vemos como, apesar de todo o mal, as pessoas conseguem ter actos maravilhosos (quase inacreditáveis!) de altruísmo e solidariedade.

A calamidade dos incêndios que têm devastado o nosso país não é excepção. Em primeiro lugar, todos os Bombeiros são de uma dedicação sem medidas. Depois temos as populações que acarinham estes seus soldados da paz, com comida, com companhia, com trabalho no campo... e tantas outras histórias que haverá de bondade e que nós nunca viremos a conhecer. No fundo, no meio de toda a escuridão de que se reveste esta catástrofe, há ainda espaço para coisas bonitas.

Contudo, é importante que a situação seja encarada tal como é: uma calamidade, um crime. Antes de constituir uma situação de actos de união, força e coragem, é uma catástrofe. Não podemos perder o foco. Muitos dos fogos (eu julgo que praticamente todos...) têm mão criminosa e podem ser prevenidos com a instituição de certas medidas. Os fogos não são acontecimentos inevitáveis; não são aquele "acontecimento de Verão" já "normal", em que uns destroem e outros constroem. Não são momentos bonitos em que grupos de pessoas dão a vida pela floresta e pelos outros. Portanto, embora encaremos estes acontecimentos com uma certa comoção, temos de encará-los também com a determinação, a indignação (e raiva, talvez!) de quem se revolta contra a ausência de medidas preventivas concretas!

Sou de opinião que os incêndios são uma fonte de lucro bastante significativa. De que forma? Não sei exactamente. Quem lucra? Não faço a mínima ideia. Mas um cenário que se repete anos a fio, completamente expectável, sem que ninguém tome quaisquer providências é porque dá dinheiro a alguém, não há outra justificação para isto.

Fogos por causa do calor, do Sol... a sério? Se assim fosse, metade do Mundo estaria a arder! Olhem, como se diz cá no Norte, não me fo***!


Inté*

9 comentários:

Teresa disse...

Sou da mesma opinião quando dizes que há interesses económicos por trás dos incêndios...Que outra justificação há para que todos os anos a "história" se repita?

Pedro Coimbra disse...

Tente ouvir a intervenção de um jornalista da SIC, em entrevista à Júlia Pinheiro e a um outro jornalista, e ficará a perceber um bocado melhor o negócio do fogo (acho que até é este o descritor).
Passo a seguir o blogue desde Macau
Bfds

Jedi Master Atomic disse...

Um que eu sei é que se queimares uma área de Eucaliptos, podes, passado algum tempo voltar a planta-los. Quando plantas ganhas dinheiro. Mas se não os queimasses eles tinham que ficar lá durante anos até morrerem.

Miúda disse...

tenho a mesma opinião. um ou outro acidental(que tb n é desculpa),talvez ainda se perceba, mas tantos :(

Estudante disse...

Pedro Coimbra: obrigada pela sugestão :) vou pesquisar! Bom fim-de-semana!

Jedi Master Atomic: humm... talvez isso justifique alguns incêndios, de facto!

Miúda: exacto!

*Nightwish* disse...

Estou completamente de acordo quando dizes que há interesses económicos por detrás destes crimes. Caso contrário, não se repetiriam todos os anos, não começariam incêndios à meia-noite, e não haveria cidades a arder "à vez". Podemos não saber quem lucra e de que forma, mas não será assim tão difícil de "seguir o dinheiro". Não fazer nada é que não é uma escolha.
***

Estudante disse...

*Nightwish*: sim, eu também sou de opinião de que só não se descobre o lobby por detrás dos incêndios porque, simplesmente, não interessa a alguém :P

Esmy disse...

Concordo em absoluto! Existem muitos interesses obscuros, que não interessam desvendar. Uma vergonha, mas é o país que temos... Pobres aqueles que ficam sem nada e os que sucumbem à mercê de mãos criminosas :(

Estudante disse...

Esmy: sim, sem dúvida!