domingo, 7 de junho de 2015

Chegou esse dia

Einstein disse: "Eu temo o dia em que a tecnologia ultrapasse a nossa interação humana, e o mundo terá uma geração de idiotas."
 
Ainda bem que o senhor já faleceu para não ter de testemunhar aquilo que tanto temia.
 
A verdade é que os nossos meios de comunicação deixaram de cumprir o objectivo para o qual foram criados e, paradoxalmente, nos distanciam cada vez mais uns dos outros. Já não atravessamos a rua para convidar um amigo para jantar; uma sms ou uma mensagem pelo facebook agiliza o processo.
 
Um "like" numa foto tornou-se quase um gesto de carinho. Quando encontramos uma pessoa da qual não sabemos há algum tempo, já não é raro ouvir: "então ainda ontem te pus um like numa foto!". Boa; como se isso substituísse um abraço, uma saída, uma conversa frente a frente. As amizades começam a ser construídas com base na interacção do próprio com um computador.
 
Vai-se perdendo o interesse por sentir o perfume da pessoa com quem conversamos, vai-se perdendo a expressão e a força com que as palavras são ditas e assim, vai-se perdendo o verdadeiro sentido que queremos imprimir naquilo que dizemos (e quantas vezes isso não leva a mal entendidos...).
 
Nem tudo pode ser "dito" por mensagens; existem situações que exigem a presença das duas pessoas, que exigem a coragem de ouvir certas coisas sem rede, às quais devemos responder de imediato, sem ensaios num ecrã. Cada vez mais, nos escondemos atrás de um telemóvel ou de um computador que nos evitam os constrangimentos "em directo". Tornámo-nos uns cobardes, com medo do contacto directo com o outro, com medo da espontaneidade que nos pode ser exigida. A segurança de poder ponderar tudo aquilo que se diz e, às vezes, até de não responder àquilo que nos é dito, é muito mais confortável.
 
Mas em que é que nos estamos a tornar?...
 
 
 
Inté* 
 

15 comentários:

Jovem $0nhador@ disse...

Tento que isso não se passe comigo, mas a verdade é que hoje em dia é inevitável...

Patrícia disse...

Ai sem dúvida! Epá e só aqueles dias em que me esqueço do telemóvel em casa e me sinto despida, dá para entender a importância que tem na nossa vida. Mas mesmo assim, não há nada que chegue a uma boa conversa frente a frente porra. E aos olhares e aos sorrisos, disso é que eu gosto mesmo!

Estudante disse...

Jovem $0nhador@: é inevitável socorrermo-nos destes meios quando necessário... mas não acho inevitável o exagero em que isso se tem tornado ;)

Patrícia: claro que não, tens toda a razão ;)

Nuno disse...

Que texto tão bom :)

Observador disse...

'Mas em que é que nos estamos a tornar?'
Numa coisa muito complicada, Estudante.

Estudante disse...

Nuno: obrigada :)

Observador: numa coisa complicada e feia :P

Gaja Maria disse...

Tudo verdade, infelizmente :))

o bo(l)bo da corte disse...

Em idiotas.
Ainda duvidas que o homem era um génio? ahahahah

Estudante disse...

Gaja Maria: infelizmente ;)

o bo(l)bo da corte: não tenho dúvidas nenhumas ;) conseguiu ver muito à frente do tempo dele :)

CM disse...

Tão bom texto, Estudante! É um vício...somos levados e arrastados e raros são os momentos em que temos noção que isso acontece...

Mam'Zelle Moustache disse...

Entendo o que dizes e pode ser preocupante, de facto. No meu caso particular, não sou nada dada a redes sociais. Mas não me chateia minimamente que a malta à minha volta o seja. Até porque uma anti-social inveterada como eu não sente falta desse contacto real de que falas. ;p

Estudante disse...

CM: é mesmo...
Mam'Zelle Moustache: ahah :P tu és um caso à parte!

agatxigibaba disse...

Não acho que esse comportamento seja transversal a todos os seres humanos. Como em tudo, cada um de nós faz o seu uso da tecnologia e tem a sua definição de privacidade ou socialização, não creio que as redes sociais só tenham um papel negativo, são o que nós permitirmos que sejam e no meu caso são só uma extensão, estou muito mais com os meus amigos do que falo com eles por mensagens (exceto os que vivem noutro país), por exemplo. Mas lá está, nem todos somos iguais e provavelmente as gerações seguintes nem sequer vão saber comunicar de outra forma, mas é a evolução. Espero que não se perca esta multiplicidade de comunicar mas a verdade é que o mundo evolui para onde a sociedade permite, portanto temos de fazer a nossa parte para preservar o que achamos importante :) (inspirei-me...)

Estudante disse...

agatxigibaba: de acordo ;)

Salsa Salsa disse...

Muito bom, vou roubar!