quarta-feira, 9 de março de 2016

Em jeito de conclusão...

Ainda no seguimento do texto anterior, deixem-me dizer-vos que o médico que luta contra a morte, perde sempre. A morte é, provavelmente, a mais democrática, coerente e imparcial de todas as entidades: ela chega sempre e chega a todos. Pelo contrário, o médico que luta pela vida é aquele que poderá surtir as maiores recompensas; para si e para o doente. Penso que toda a temática da eutanásia e dos cuidados de fim de vida, deveriam ter por base esta ideia. Apesar de controverso, este é um tema que deve ser encarado com a serenidade de alguém que compreende que o maior benefício de todos é a garantia da qualidade de vida e a saúde.

Fico triste quando perdemos a esperança de viver uma vida melhor e, resignados com o sofrimento, vemos como tábua de salvação um adeus definitivo. Eu sei que, na maioria das vezes, poderemos conseguir melhor do que isto. Eu sei que, se usarmos a ciência a nosso favor, poderemos viver melhor - e não necessariamente mais! A alternativa à eutanásia não é unicamente o sofrimento. Há outras alternativas.

(A eutanásia é um assunto sobre o qual eu não quero votar "não" e tenho muito medo de votar "sim"... admiro quem encara o tema com tantas certezas).


Inté*

7 comentários:

ó menina disse...

calha a todos.
acho útil que se debata e legisle devidamente o testamento vital mas, quanto à eutanásia acho que é daqueles assuntos em que se pode cair no erro da radicalização

redonda disse...

Um texto muito positivo, gostei de ler.
(sobre a eutanásia, penso que se deveria deixar que cada um de nós pudesse optar quando estivesse em causa a sua vida ou a sua morte - tema muito difícil)

Jedi Master Atomic disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Agridoce disse...

Gostei muito dessa ideia de lutar pela vida, ao invés de lutar contra a morte... Fiquei com vontade de transpôr isso para mil e uma coisas!...

esperto que nem um alho disse...

O que mais me assusta nesta discussão, é que nunca vi expressa a opinião de alguém que tenham escapado de um confronto real com a morte. Daí concluo que parece muito fácil dar opinião quando o que se discute é o direito à morte... dos outros.
E não me convence a teoria do direito a decidir livremente e em consciência, porque em determinados níveis, a dor é a principal inibidora de qualquer ato consciente.
Acho que no meio desta confusão toda, alguém se está a esquecer que a morte é o único processo irreversível. Podemos referendar a entrada ou permanência de um país em determinada organização, com o pressuposto de que na política tudo muda algum dia. A morte nunca muda. Se estás morta hoje, amanhã continuas morta, faças os referendos que fizeres.

Estudante disse...

ó menina: sim, é verdade...

redonda: muito difícil, mesmo...

Agridoce: ;)

esperto que nem um alho: tens razão. Mas a ser aprovada, acho que a autorização de uma pessoa para "usufruir" de eutanásia deveria ser estabelecida antes da doença... só assim se garante que a pessoa decide com capacidade plena.

esperto que nem um alho disse...

Mesmo assim duvido que alguém de perfeita saúde e sem a dor a empurrá-la, esteja minimamente preocupada com a morte.
Depois está condicionada.
E quem é que vai decidir "apagar" os velhinhos, ou os sobreviventes de AVC's, que só cá ficaram a consumir recursos ao sistema e à família?
É que já estamos habituados a que as pessoas esqueçam o tempo em que eles eram o único recurso disponível. :/