quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Às 22.30...

Ontem capotou um carro mesmo em frente à nossa casa. Questionei-me quantas corujas aqui do sítio não pagariam para que isso acontecesse à sua porta. Mas não; veio logo acontecer aqui, numa das ruas mais calmas que vocês possam imaginar. Contudo, isso não impediu que passado pouco tempo a rua estivesse plena daquilo a que eu carinhosamente apelido de abutres - não fazem absolutamente nada para ajudar e vibram com a desgraça alheia.

Fui tentar perceber se era precisa ajuda. Uma meia dúzia de homens já estava no local e queriam a todo o custo retirar o condutor do carro. Não imaginam a trabalheira que foi convencê-los de que não é correcto retirar assim as pessoas sem protecção nenhuma (a minha tenra idade associada ao machismo desta gente também não me facilitaram a tarefa... uma mulher a dar ordens a machos? Nãã...). Mas lá os dissuadi de tamanha asneira.

Sabem, a ânsia de virar o carro e a vontade de desencarcerar a vítima eram tão grandes, que ninguém se lembrava de conversar com a pessoa que estava presa lá dentro. Não se devem deixar as pessoas sozinhas. Se pudermos evitar que entrem em pânico e que se sintam abandonadas, tanto melhor. Não são precisas grandes conversas, nem temas muito elaborados... é só preciso mostrar-lhes que está ali alguém que as quer ajudar e que não vai embora até que tudo esteja resolvido.

Há pessoas que têm um verdadeiro dom para acalmar os outros. Falam-nos e parece que nada pode correr mal. A Manhê era assim comigo e com a mana. Podíamos estar cheias de dores ou todas ensaguentadas das quedas aparatosas que às vezes dávamos, mas a Mãe nunca entrava em pânico e conseguia sempre evitar que nós entrássemos também. É por isso que eu sei que a companhia de outra pessoa e umas palavras apaziguadoras podem fazer a diferença.


Inté*

20 comentários:

anokas disse...

Imagino o aparato aí à porta!

Há sempre aquela curiosidade mórbida de ficar a olhar para os acidentes, muitas vezes até lhes passa ao lado que alguém possa precisar de ajuda.

Conseguir acalmar as pessoas é um dom que não me assiste, mas concordo que isso ajuda as pessoas a não se sentirem sós em momentos de aflição.

Viva Manhê da Estudante :D

somaijum disse...

Quantos acidentados não ficarão paraplégicos com as ajudas de ignorantes que veem num acidente a oportunidade de terem os seus 5 minutos de glória?...

Quanto à segunda parte, é por isso que estou há duas semanas à espera que venha de férias um dos poucos médicos que conheço, com tempo para conversar com os doentes. Porque há situações em que uma palavra vale mais do que mil imagens. xD

Luísa disse...

abutres? essas coisas arrumavam-se logo com uma caçadeira de dois canos xb

Catarina Reis disse...

Pois... esse é o teu lado "medicinal a falar". Tendencialmente o ser humano mais facilmente recorda o que está mal do que o que está bem, e adora ver acidentes.

Blackbird disse...

A sério que ninguém ligava à pessoa que estava dentro do carro? Que estupidez... E fizeste bem em não deixar que a tirassem de lá :x

Jedi Master Atomic disse...

É isso estudante. Impõe o teu físico sobre eles, que é isso que eles precisam :P

Tétisq disse...

Há qlq coisa na tragédia que atrai os portuguses, em qlq rua.

CM disse...

Eu até fico parva como é que há pessoas que não se lembram que não se pode retirar assim um acidentado, do pé para a mão, de dentro de um carro! Jesus...

Estudante disse...

anokas: foi o acontecimento do mês :P

somaijum: pois é... às vezes, por querermos fazer mais do que sabemos só fazemos asneira! Concordo contigo quanto ao valor das palavras ;)

Luísa: ahaha :P era lindo!

Catarina Reis: é um gosto um bocado mórbido :P

Blackbird: acredito que não tenha sido por mal... a prioridade para eles era tirarem-no de lá :\

Jedi Master Atomic: ahaha :P não ía muito longe com o meu físico! Eram todos maiores do que eu :D

Tétisq: era um bom tema para uma tese de mestrado x)

CM: é um conceito básico mas pelos vistos...

SuperSónica disse...

Há pessoas boas que fazem smepre a diferença em situações de pânico...pena serem poucas!

Márcia V. disse...

Um acidente a porta deve ter sido o momento alto do ano :)
Agora a serio,as pessoas as vezes a querer ajudar só atrapalham e podem prejudicar mais do que o que ajudam.Uma palavra de conforto e de atenção nessas alturas deve mesmo fazer toda a diferença.

Audrey Deal disse...

Eu não consigo acalmar ninguém, eu entro num estado que nem eu própria consigo controlar.

Táquetinho disse...

Os mirones, não lhes basta pararem em todos os acidentes (mesmo na autoestrada) para fazerem o orçamento, ainda têm que meter-se armados em paramédicos.
Pobre de tudo faz um "pugrama". Eheh

Estudante disse...

SuperSónica: :)

Márcia V.: não foi propriamente um momento alto :P espero que não torne a acontecer! Sim, tens toda a razão ;)

Audrey Deal: há muitas pessoas como tu :) cada um tem a sua maneira de lidar com as coisas, não podemos culpar ninguém ;)

Táquetinho: é, às vezes ainda atrapalham :P é melhor "taremquétinhos"!

Jovem $0nhador@ disse...

Possa deve ser uma aflição estar numa situação assim...

Estudante disse...

Jovem $0nhador@: :\ um bocado...

ateaoscem.com disse...

E não tiras te fotos?

XL

Estudante disse...

XL: não... nem me lembrei de tal coisa e acho que não se deve fazer :P

Ana D. disse...

Txiii, os meus vizinhos iam adorar que isso acontecesse aqui.
É normal as pessoas quererem resolver logo a situação, não é por mal.
No ano passado a minha vizinha foi atropelada à minha porta e as pessoas dessa vez não tentaram fazer nada por ela, mas sim tentavam perceber como foi, quem era o senhor etc e tal. Preocuparem-se com ela??? Não é preciso. Estava lá eu e a minha mãe a falar com a senhora enquanto que o resto da vizinhança que por acaso são da familia nem se chegavam

Estudante disse...

Ana D.: às vezes as pessoas ficam tão aflitas que ficam sem reacção, sei lá... ainda bem que vocês ficaram com a senhora ;)