quarta-feira, 10 de abril de 2013

"Carta aos 19%"

Andei por aqui a vasculhar antigas postagens e dei-me conta de que as mensagens mais estúpidas que escrevo coincidem normalmente com a época de exames, o que confirma a minha teoria de que o estudo pode ter efeitos colaterais não desprezíveis. Daí que, numa tentativa de inverter esta tendência, hoje vos deixe com um texto que não é meu mas que é simplesmente brilhante! Se quiserem ler postagens com mais qualidade, voltem cá amanhã, que eu por volta desta hora já me safei do último teste.


Carta aos 19% por Ricardo Araújo Pereira

"Caro desempregado,

Em nome de Portugal, gostaria de agradecer o teu contributo para o sucesso económico do nosso país. Portugal tem tido um desempenho exemplar, e o ajustamento está a ser muito bem-sucedido, o que não seria possível sem a tua presença permanente na fila para o centro de emprego. Está a ser feito um enorme esforço para que Portugal recupere a confiança dos mercados e, pelos vistos, os mercados só confiam em Portugal se tu não puderes trabalhar. O teu desemprego, embora possa ser ligeiramente desagradável para ti, é medicinal para a nossa economia. Os investidores não apostam no nosso país se souberem que tu arranjaste emprego. Preferem emprestar dinheiro a pessoas desempregadas.

Antigamente, estávamos todos a viver acima das nossas possibilidades. Agora estamos só a viver, o que aparentemente continua a estar acima das nossas possibilidades. Começamos a perceber que as nossas necessidades estão acima das nossas possibilidades. A tua necessidade de arranjar um emprego está muito acima das tuas possibilidades. É possível que a tua necessidade de comer também esteja. Tens de pagar impostos acima das tuas possibilidades para poderes viver abaixo das tuas necessidades. Viver mal é caríssimo.

Não estás sozinho. O governo prepara-se para propor rescisões amigáveis a milhares de funcionários públicos. Vais ter companhia. Segundo o primeiro-ministro, as rescisões não são despedimentos, são janelas de oportunidade. O melhor é agasalhares-te bem, porque o governo tem aberto tantas janelas de oportunidade que se torna difícil evitar as correntes de ar de oportunidade. Há quem sinta a tentação de se abeirar de uma destas janelas de oportunidade e de se atirar cá para baixo. É mal pensado. Temos uma dívida enorme para pagar, e a melhor maneira de conseguir pagá-la é impedir que um quinto dos trabalhadores possa produzir. Aceita a tua função neste processo e não esperneies.

Tem calma. E não te preocupes. O teu desemprego está dentro das previsões do governo. Que diabo, isso tem de te tranquilizar de algum modo. Felizmente, a tua miséria não apanhou ninguém de surpresa, o que é excelente. A miséria previsível é a preferida de toda a gente. Repara como o governo te preparou para a crise. Se acontecer a Portugal o mesmo que ao Chipre, é deixá-los ir à tua conta bancária confiscar uma parcela dos teus depósitos. Já não tens lá nada para ser confiscado. Podes ficar tranquilo. E não tens nada que agradecer."



Inté*

terça-feira, 9 de abril de 2013

Crónicas Primaveris I

Minha gente,

Bem sei que a Primavera não tem dado ares da sua graça, que o Sol anda por terras de Vera Cruz e não nos quer dar o prazer da sua companhia mas, melhor do que ter a Primavera lá fora na rua, é tê-la cá dentro e por isso deixo-vos com este pequeno excerto:


"...e arrepias-me a alma
Ao dizeres que me vais amar sempre

E juro-te que só para continuarmos juntos
Parto quinze minutos antes de ti"


Para ler o poema na sua totalidade: http://expresso.sapo.pt/quinze-minutos-antes-de-ti=f798575



Inté*

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Caramba...

... e pensar que ainda há pouco acabou o Natal e Nossa Senhora já está grávida outra vez! 

A religião respeita muita coisa, mas não cumpre o conceito obstétrico de gravidezes intervaladas por períodos mínimos de dois anos.



P.S: vou ter exame de Urgências, já sabem: torçam por mim!






Inté*

domingo, 7 de abril de 2013

Urgências e outras coisas mais...

Estou a estudar Urgências e tenho um conselho útil para vos dar.

Se se quiserem intoxicar por favor, evitem o arsénico e o sulfito de hidrogénio. É que se o primeiro provoca um hálito a alho, o segundo também não é muito melhor uma vez que parece causar um odor semelhante a ovos podres. Não me parece agradável ser recordado como "o gajo que cheirava mal da boca". E pior seria a não consumação da morte e o rótulo vitalício de "o gajo que ía batendo as botas e cheirava mal da boca".

Acresce ainda a possibilidade de que o mau hálito possa ser bastante prejudicial para as pessoas à nossa volta. Por isso, se não querem espantar vampiros e nem têm intenção de matar ninguém, evitem estas coisas, sim?


Obrigada.



Inté*

sábado, 6 de abril de 2013

A Avó

A minha Avó é uma personagem muito peculiar. Já vos tenho falado dela aqui e do seu hábito dramático de dizer que não chega ao ano seguinte. Desde que conheço a avó que a ouço dizer que "para o ano já cá não estou". Enfim... Até agora não tem acertado.
 
Mas, para além desta fixação que tem com o término da vida, a Avó tem aquilo a que eu chamo "síndrome das coisas novas" (já começo a fazer diagnósticos, viram?). Esta síndrome caracteriza-se por:
 
- olhos arregalados e midríase sempre que me vê pela primeira vez com alguma peça de roupa nova;
- verbalização da frase: "tens uma saia/camisa/etc. muito linda, filha!";
- repetição do mesmo fenómeno nas dez vezes seguintes em que uso a mesma peça.
 
Ao contrário do que possam pensar, a base desta síndrome não é apenas uma ligeira perda de memória... é mesmo e sobretudo a distracção da Avó, coisa que infelizmente, tem passado de geração em geração.
 
Um dia conto-vos os episódios que esta "distracção hereditária" tem despoletado por estes lados...
 
 
 
Inté*

Rainha dos post-its


Não consigo estudar sem escrever e depois dá nisto.

No meio de tantos post-it's até se torna difícil encontrar o livro!...



Inté*

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O Relvas? Veio uma vaca e...

Parece que o Relvas não teve condições anímicas para continuar com as suas funções no Governo (eu a pensar que ele só lá estava a fazer nada...) e teve de abandonar o barco. Aqui está a prova de que quem não sobrevive à vida académica provavelmente não sobrevive a mais nada.
 
A outra boa notícia é que a Estudante está de regresso, depois de uma pausa sabática de precisamente dois meses, que de sabática teve pouco...
 
Provavelmente não será a melhor altura para regressar, uma vez que estou em época de exames, mas o choro de saudade já começava a ser incontrolável e antes que me diagnosticassem uma depressão major decidi retomar a actividade blogueira. E por aqui, novidades?
 
 
 
Inté*