Há cerca de um mês, o Papa Francisco discursou sobre a atenção que devotamos aos nossos animais e aos nossos vizinhos (podem ler o texto aqui). No fundo, foi dito que devemos tratar bem os animais sem nos esquecermos de tratar bem as pessoas.
Tenho esta percepção, não sei se estarão de acordo, de que, muitas vezes, a mudança de pensamento e paradigma na sociedade se associa a uma dicotomia muito marcada ou então, circula entre extremos. Quero eu dizer que, se há algum tempo os animais eram vistos como "algo" sem direitos e sem importância, hoje em dia dirigimos a nossa atenção de uma forma muito especial para eles; preocupamo-nos em legislar os seus direitos, em fazer cumprir a lei, etc. Quanto a mim, perfeito. Os animais não são coisas: são seres vivos e merecem que os tratemos bem.
MAS, continuam a existir as pessoas. E o que eu vejo muitas vezes, infelizmente, é que os "defensores dos animais", ao se colocarem do lado dos seus bichinhos, assumem uma postura bastante defensiva e por vezes agressiva até, para com os seus semelhantes; quase como se nós, seres humanos, fôssemos os maus da história e os animais os principais (e únicos) alvos do nosso amor e respeito.
Ora, o facto de defendermos os animais e de os amarmos, não nos impede de sentir o mesmo amor e respeito pelos seres humanos; não são duas realidades mutuamente exclusivas. As pessoas também precisam que as amemos e que as defendamos. Como é possível que alguém alimente os animais da rua e se negue a ajudar alguém que passa fome? Não faz sentido, não consigo compreender. Da mesma forma que não compreendo a situação oposta...
Sabem, eu penso que nós menosprezamos imensamente o nosso coração. O nosso coração é enorme! Tem capacidade para amar todos os animais e todas as pessoas; tem capacidade para defender os animais e as pessoas; tem capacidade para ser bom para os animais e para as pessoas. Não precisamos optar por um dos dois! Não é maravilhoso?
Eu proponho uma coisa: eu proponho que em vez de nos apelidarmos de "defensores dos animais", nos apelidemos de "defensores dos seres vivos", de tudo aquilo que existe e que pode beneficiar do nosso carinho e atenção. Que tal?
Já agora, Simbinha, Pirata e Óscar, a vossa dona tem muitas saudades vossas.
Inté*








