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domingo, 8 de janeiro de 2017

Viva o progresso!

Este Natal, fiquei a saber que o último residente numa aldeia de Penela, vai passar a receber comida através de um drone (notícia aqui).

Portanto, a comida que era entregue por uma ou duas senhoras, vai passar a ser entregue por uma espécie de robot com asas. O senhor que estava só, vai agora ficar ainda mais só. Mas vai ter um drone a sobrevoar-lhe a cabeça e isso é espectacular!

De facto, quanto mais evoluímos mais nos isolamos...



Inté*

sábado, 31 de dezembro de 2016

Adeus 2016, olá 2017!



A vida não recomeça pontualmente no dia 1 de Janeiro: é antes um bonito e subtil desenrolar de tempo, que nós vamos escrevendo e moldando mediante as circunstâncias. Ainda assim, é bom que a maioria das pessoas pare uma vez por ano para pensar e ponderar alterar o rumo das coisas.
Eu acho que a vida passa demasiado depressa, não há muito tempo para ensaios - ela passa e, não deixa de ser curioso que, apesar de ser nossa e nós só conseguirmos ser com ela, ela não espera por nós.

Este ano foi um ano bom para mim e eu seria bastante ingrata se não o considerasse como tal. Foi um ano difícil, é verdade, e eu aprendi que, mesmo quando as coisas correm como o previsto, não é por isso que se tornam mais fáceis (curioso, não acham? Desta não estava à espera...). Se há um ano me tivessem descrito tudo aquilo que me aconteceu durante 2016 e tudo aquilo que eu aprendi e consegui fazer, eu não acreditava. Mas o certo é que foi tudo feito, com mais ou menos sacrifício.

Por isso, a mensagem que eu vos quero deixar é que nada é impossível, que os nossos limites e medos não são entidades concretas, e são facilmente empurrados para longe se nós nos atrevermos um bocadinho.

Que 2017 seja um ano feliz e, quando não for, que não faltem ombros amigos para torná-lo menos amargo. E já agora, vamos tentar fazer do Mundo um lugar melhor? Que acham? Não são precisos grandes feitos; vamos antes apostar em muitos gestos pequeninos!

***

A minha palavra deste ano é: OBRIGADA. Obrigada não só por 2016, mas por toda a minha vida, pela minha família, pelos meus amigos e pela minha profissão.


Até para o ano! :)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Génios da Publicidade

Não sei se já tiveram oportunidade de visualizar os vídeos promocionais dos ginásios Solinca. Pois se não visualizaram, nem sabem o que perderam. Ora, desfrutem de uma das pérolas:





Uma publicidade que me faz lembrar as velhotas lá da aldeia da minha Avó. Elas até parecem estar a dar bons conselhos mas, se escrutinarmos bem o que dizem, não fazem mais do que meter ferro... falsos conselhos, basicamente.

O Solinca convida-nos a treinar nas suas instalações com medo que nos sintamos inferiores aos outros e que, inclusivamente, sejamos traídos. Não consigo encontrar melhor motivo para frequentar um ginásio do que este. E estranho até, que um conceito de tão bom gosto, só agora tenha sido aproveitado! Treinar pela minha saúde?! Eu quero é treinar para evitar enfeites cefálicos ou para oferecê-los a outras pessoas!

O que eu concluo, meus senhores, é que o departamento de marketing do Solinca teve um 2016 complicado e tem algumas questões por resolver lá por casa. E mais: eu apostava que alguns membros da equipa, com o peso que têm na cabeça, nem precisam frequentar nenhum ginásio para ficarem em forma.



Inté*

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Janelinhas Anatómicas

Está tudo muito bem feito, é verdade. Estudar Anatomia, Fisiologia e todas as palavras terminadas em "ia" que nos ajudam a perceber como funciona o corpo humano, pode ser cansativo mas é, acima de tudo, um privilégio. Eu sou uma admiradora incondicional do funcionamento do nosso corpo e olho-o  com a mesma admiração e deslumbre com que olho para O Beijo, de Gustav Klimt.  

Só acho que (e perdoem-me a ousadia) ali, entre a quarta e quinta costelas da esquerda, poderia existir uma janelinha, de fácil acesso, na eventualidade de qualquer necessidade. Para que, quando alguém chegasse cabisbaixo, nós pudéssemos abrir essa janelinha, escolher um pouco de alegria, segurá-la nas palmas das mãos e soprá-la sobre quem está mais triste. Ou então, deixar outros espreitar cá para dentro, para perceberem como nós os guardamos num sítio tão bonito do nosso coração; para lhes mostrarmos como os vemos, para lhes fazermos ver com os nossos olhos. Há pessoas tão bonitas! Quem me dera que elas se conseguissem ver como eu as vejo!


Na falta de palavras, podíamos ter essa janelinha...


Inté* 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Isto anda a ficar redundante...

Quando era pequena, Manhê comprava cassetes VHS com os filmes da Disney. Eu fui criada assim, nesse mundo de contos de fadas e com uma Mãe que conseguia verdadeiras magias, como fazer a dor ir embora apenas com um beijinho. Não tinha, portanto, motivos para desconfiar da veracidade das fadas madrinhas e de outros que tais.

Por mais que assistisse a esses filmes, vezes e vezes sem conta, acreditava sempre que as partes más iam ser diferentes (por exemplo, que o Mufasa não cairia no desfiladeiro ou que o pai do Bambi afinal, não tivesse sido morto). Agora, pensando nisso, sorrio perante tamanha ingenuidade. Eu tenho saudades desse tempo. Sinceramente. Quando somos pequenos, tudo é possível. E a capacidade que temos para vermos oportunidades em tudo é extraordinária! Qualquer sala de espera, qualquer consultório, qualquer restaurante, por mais exíguo que seja, por mais despojado que seja de materiais e utensílios, rapidamente se transforma numa selva cheia de índios, num deserto com cavalos e cowboys. Não há nada que desmobilize e desmotive os bandos de pardais da brincadeira, das histórias, das aventuras. E mais: quando somos pequenos, todos são potenciais amigos (facto que, na idade adulta, é completamente tido do avesso).

Verdadeiramente, eu admiro os mais pequenos. São realmente seres especiais, com uma mente tão diferente, tão... mágica! Por isso, às vezes, lamento ter crescido. Lamento fazer parte deste grupo dos adultos que, não raramente, são um resquício apagado da criança que foram. Ficamos chatos, sem cor, medrosos... bah. Uma seca. Eu lembro-me de ser Estudantinha. Eu não sinto que, de repente, parte de mim se tenha perdido pelo caminho do meu crescimento. Há um laço entre o que eu fui e o que sou. Logo, ela tem que estar aqui algures, essa luzinha que é só o melhor eu que eu já fui.



Inté*

domingo, 23 de outubro de 2016

Remendos

Cá em casa há uma caixa de costura porque é preciso remendar as coisas. Cosem-se buraquinhos, pregam-se botões, recose-se o que, por algum motivo, se descoseu. Há sempre aquela tentativa de substituir o "velho" e o "gasto" por outras peças novinhas em folha, sem retoques, sem cicatrizes. Mas o remendado não deixa de ter um certo encanto, não acham? Há qualquer coisa ali que nos remete para o passar do tempo, para uma história... que nos recorda a resiliência perante as adversidades que vão deixando pequenos buracos e imperfeições.
Ao fim e ao cabo, até nós sofremos alguns remendos ao longo da vida - mal de nós se assim não fosse! Vivermos até à morte tal como viemos a este Mundo, imutáveis, sem uma correcção, sem uma mudança de rumo. Quando as pessoas batem à porta dos nossos dias, trazem com elas todos os seus remendos: memórias, cicatrizes, traços que são só delas. E são mais bonitas, por dentro e por fora, se forem assim, com histórias por contar. Tão bom quando juntamos remendos!...



Inté*

PS: vocês são mesmo boas pessoas... o meu post anterior não deixa de estar revestido por alguma ironia e exagero, inerentes a qualquer caricatura. O episódio que vos descrevi, foi um episódio caricato e que nos valeu valentes gargalhadas, mas vocês focaram essencialmente, o lado sério da coisa. A "revolta" que mencionei não é por acaso que está em itálico; não nos podemos revoltar sempre quando as coisas correm mal, se seguem o esperado e expectável. Por vezes, a expectativa desmedida e a esperança irreal são mais prejudiciais do que benéficas. Já aprendi a não me revoltar tantas vezes e a aceitar em Paz o rumo de muitas coisas.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Ideias

Aqui há uns dias, o meu tutor dizia que "as Religiões dividem as pessoas".
Não é uma ideia que eu nunca tenha ouvido, mas é uma afirmação com a qual discordo completamente. As Religiões, no seu âmago, apelam à Paz e à união entre as pessoas. Aquilo que as pessoas fazem com a sua religião, e a forma como a usam para justificar os seus actos, é outra conversa. Quem quiser optar pelo mal, encontra sempre pretextos, mais ou menos estúpidos, para segregar as pessoas: a cor da pele, a língua, o ordenado, a carreira...

Imaginemos as religiões como um amontoado de pedras. Uns, utilizam-nas como armas de arremesso; outros, constroem muros e há quem construa pontes. Onde está o factor de variabilidade? Nas pedras?...




Inté*

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Preciso da vossa ajuda...

Com certeza já nos aconteceu a todos, mediante uma reclamação acerca de uma coisa qualquer, ouvirmos um: "há pior!". E pronto, levamos com esta resposta como se, de alguma maneira, quisessem legitimar a falta de qualidade apontada com o facto de existir uma situação ainda mais degradante. Parece que o facto de haver pior, melhora aquilo que é mau. Ora, isso não é verdade; o que é mau é mau, independentemente de haver algo, com muita pena minha, que consiga ganhar em negatividade.

Eu acho extraordinário este argumento do "há pior" porque quem o utiliza, raramente tem realmente a certeza de que haja pior. E além disso, nós queremos estar mais próximos dos melhores ou dos piores? É que um mau que diz que ainda há pior, parece estar a esforçar-se arduamente para alcançar esse título... assim numa espécie de luta diária para ser (e desculpem-me a expressão) a merda no pedestal.

Mas que raio de ideia é esta? Alguém me explica?



Inté*

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Boa pergunta...

Num livro que li, o autor colocava a seguinte questão: "Prefere ser feliz ou ter razão?". E agora pensam vocês: "Estudante, que raio de livros andas tu a ler? Vai mas é estudar Anatomia e deixa-te de filosofias". Eu prometo que vou, só um minutinho.

Queria o autor questionar-nos acerca da pertinência e utilidade de discussões e argumentações exaustivas em que tentamos por tudo o que existe, demonstrar que temos razão; em que tentamos fazer com que o outro aceite o nosso ponto de vista como o correcto. E pensando bem, será que a maioria destas discussões valerá a pena, mesmo quando temos razão? Não serão todas, obviamente, mas existem conversas que pouco diferem de estarmos a bater com a cabeça na parede. E explicamos, desenhamos, gesticulamos... mas o outro parece que não atinge. 

Quando é assim, sinceramente, eu desisto. Então quando se trata de uma tentativa de desconstruir uma interpretação errada de algo que eu disse, é exasperante. Nós somos responsáveis por aquilo que dizemos, mas nunca por aquilo que o outro poderá interpretar... é injusto, eu sei. É por isso que é bom estudar Anatomia; saber quais os locais mais vulneráveis para desferir um golpe que cale o teimoso cabeçudo de vez.

Mentira. Abaixo a violência! Mas às vezes, apetece enfiar um valente sopapo na cara de algumas pessoas...



Inté*


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Dão-me licença que eu diga uma coisinha?

Todos nós somos importantes, está bem? A importância não tem nada a ver com o dinheiro ou com o poder. Muitos vezes e até inconscientemente, nos vemos num patamar inferior ao de outras pessoas porque pensamos (ou somos levados a pensar) que há dois grupos de pessoas: os importantes e os normais ou não importantes. Ora, acontece que todos nós somos importantes; não é só o senhor Juiz, o senhor Doutor ou o senhor Presidente que são alguém com importância. Cada um de nós é importante para alguém. Porque é que o facto de eu ser importante para a minha família vale menos do que a importância que tem um Juiz? Qual é a régua, ou o critério em que nos baseamos para discriminar o grau de importância?... E se achamos que não somos importantes para ninguém, existem muitas formas simples de passarmos a sê-lo: ajudando, intervindo... só não é importante quem não quer.

Portanto, quando alguém nos fizer sentir inferiores ou quando essa inferiorização partir de nós próprios, é só emitir o alerta: ei! Espera aí, eu sou importante! Por mais que as coisas possam correr mal ou não correrem conforme o planeado; por mais que certas pessoas queiram colocar-se acima de nós, esta é uma ideia que devemos ter bem assente. E sermos conscientes do nosso valor não é falta de humildade nem é pecado. Na verdade, tenho a certeza de que a falsa modéstia é quase tão má quanto o ego desmedido. Sejamos assertivos, não é verdade? E cientes daquilo que somos e do que podemos fazer. Só assim temos capacidade para fazer uso dos nossos dons e capacidades.



Inté*

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Feriado, que bom ter-te de volta!

Já diz o povo "no meio é que está a virtude", e quando é o feriado que está mesmo ali no meio da semana então, é virtude e alegria. E hoje é feriado porque comemoramos a Implantação da República Portuguesa; qualquer dia, quando tivermos outro regime, este feriado é abolido mas não fiquem tristes! Porque, desaparecendo o 5 de Outubro, há-de aparecer outro a comemorar a implantação de outra coisa qualquer.

O curioso é pensarmos que o feriado do 5 de Outubro já esteve inactivo durante algum tempo e que só este ano foi recuperado. Não sei qual o critério para abolir feriados, mas a abolição do feriado que marca o fim da Monarquia Constitucional parece-me grave e portadora de uma mensagem subliminar que eu ainda não consegui decifrar...

Mas deixemo-nos de teorias da conspiração e aproveitemos bem a folga, não é verdade? (não vão eles lá de cima pensar que, não sendo aproveitado ao máximo, podem subtrair o feriado outra vez...).



Inté*

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A Ternura



Não consigo imaginar alternativa mais feliz. A não ser claro, dizê-lo sempre, com Alzheimer ou não.


Inté*

Quando os médicos ficam doentes...

Na verdade, eu não estive doente. Mas, há pouco mais de uma semana, fui sujeita a uma pequena cirurgia. Nunca tinha sido o alvo de um bisturi e, portanto, não ía completamente relaxada mas estava confiante de que ia correr tudo bem.

Entretanto, durante o procedimento, pude sentir alguma dor, mas era perfeitamente tolerável. Estava tudo sob controlo e eu estava orgulhosa da minha pessoa. Eu estava mesmo a conseguir manter-me calma mas o cirurgião trocou-me as voltas quando me perguntou se eu teria algum problema de sangue... "Mauuu!" pensei. "Estava eu a portar-me tão bem, com tudo tão controlado, e agora vens tu estragar-me o esquema todo??".
Respondi-lhe que não; até ao momento, não tinha conhecimento de nenhuma alteração. "Ok. É que estás a sangrar mais do que o suposto...".

"Uau! Vejam bem como ele consegue ser tããão animador!..." 

Bem, com sangue ou sem sangue aquilo terminou e quando me levantei a sala girou um bocadinho, mas lá me voltou a cor às bochechas. "Estou cá até às nove e meia, se precisares. Se vires que o penso fica muito sujo, podes vir ter comigo."

Agora digo-vos a verdade: eu fui para casa cagada de medo. Mas por que raio pá, aquilo haveria de sangrar? Ía morrer por causa de uma coisa tão insignificante!! Dei por mim envolta nestes pensamentos mais obscuros quando a razão passou por mim: oh rapariga, tu sangras todos os meses pá, e ainda não morreste. Deixa-te de m*****.

E foi remédio santo.


Inté*

domingo, 2 de outubro de 2016

Lição de Anatomia

Eu tenho um carinho especial pela Cardiologia. Não consigo evitar romantizar a especialidade que cuida dos corações embora, claro está, saiba perfeitamente que os Cardiologistas cuidam do coração enquanto bomba propulsora e que aquela parte do coração que realmente nos mantém vivos - aquela do amor e das emoções - não tem merecido destaque entre as especialidades tradicionais.

Talvez então, tenhamos dois corações ou, quem sabe, uma espécie de alma que circula discretamente neste espaço físico e cujas manifestações sistémicas não são assim tão discretas...

Mas reparem como o coração é um órgão maravilhoso: provavelmente, é a única coisa que temos que quanto mais cheia, mais leve. Quanto mais guardamos nele, quanto mais carinho ele tem, menos pesado se torna. Não é extraordinário? O nosso coração é relativamente pequeno, sabem? Mais ou menos do tamanho do nosso punho fechado e, ainda assim, trabalha incessantemente, durante toda a nossa vida, com um ritmo que se adequa à música da nossa vida: umas vezes mais acelerado, outras vezes aos pulinhos... Não tenho dúvida contudo, que é um órgão muito feliz.


E por falar em coração cheio, hoje a minha pessoa favorita faz anos! Muitos Parabéns, Manhê :D



Inté*


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Perspectivas

"43 anos numa cadeira de rodas por erro de diagnóstico". Foi assim que o Diário de Notícias noticiou a história de Rufino Borrego, um doente com miastenia congénita por mutação do gene DOK7 que, após correctamente diagnosticado, voltou a andar pelo próprio pé. Foi com um título semelhante que a SIC apresentou esta notícia na noite passada.

Ocorrem-me tantos outros títulos! "Homem volta a andar 43 anos depois!", "O Milagre da Ciência", "A Importância da genética nos nossos dias"... Sei lá! 

Mas para quê o optimismo, se podemos fomentar a negatividade, não é verdade?



Inté*

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Somos todos doidos?...

Já alguma vez vos assolou a mente a hipótese de serem um indivíduo com graves perturbações mentais (um louco!) sem se terem dado conta? Ou seja, imaginem que sofrem de uma patologia psiquiátrica realmente grave, e que são mantidos num determinado meio e círculo de pessoas, como forma de tratamento... não sei se estão a perceber onde quero chegar.
Os loucos não sabem que são loucos. E normalmente, são mantidos em certos ambientes e tal, e nunca chegam verdadeiramente a ter conhecimento da sua loucura. Provavelmente, acham-se pessoas perfeitamente normais porque não conhecem outra realidade a não ser a deles.

Hoje, ía a caminho do hospital, quando me lembrei dessa hipótese: e se eu for uma ganda maluca que anda aqui sem saber? Mas senti isto profundamente, com uma sensação real de alheamento, sabem? Foi uma coisa muito estranha.



Inté* 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Leituras

Este Verão consegui (felizmente!), ler bastante. Eu adoro ler, sempre adorei e acho que é uma bênção gostar de uma actividade que se pode fazer em quase todo o lado e que, ainda por cima, pode ser totalmente grátis se tivermos uma biblioteca por perto.

Dois dos livros que li foram O Homem de Constantinopla e Um Milionário em Lisboa, do José Rodrigues dos Santos. De todos os livros que li deste autor, estes são, até ao momento, os meus favoritos. Baseados na vida de Calouste Gulbenkian, dão-nos uma perspectiva muito interessante do Mundo dos finais do séc. XIX e início do séc. XX. Além disso, abordam também a história do Genocídio Arménio em 1915. Confesso que desconhecia esta passagem tão negra da nossa história. Geralmente, o Genocídio que ocorreu durante a II Guerra Mundial ocupa as nossas mentes como o mais importante massacre de sempre e, mais grave, como o último. Pensamos ingenuamente que, após o extermínio levado a cabo pelos nazis, o Mundo aprendeu a lição e que nunca mais algo de semelhante pode acontecer novamente. Mas será mesmo assim?...

Quando li a história do Genocídio Arménio durante a Primeira Guerra Mundial, percebi como no nosso Mundo os cenários de guerra, de maldade e de catástrofe tendem a repetir-se. Se de facto aprendêssemos alguma coisa com os nossos erros e com o sofrimento Humano, o massacre do povo Arménio pelos Turcos teriam impedido o Holocausto, que aconteceu, imaginem só, menos de 30 anos depois! Incrível, não é?

Será que o nosso Mundo está a salvo de outra maluqueira como a que aconteceu sob as ordens de Hitler?... E não será que temos tendência a subvalorizar certos acontecimentos (como a guerra na Síria, por exemplo) por pensarmos que o auge da maldade foi o Genocídio da Segunda Guerra Mundial? Eu acredito que, por vezes, caímos nesse erro.



Inté*


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

É costume dizer-se que o tempo cura tudo; que não há mal que nunca acabe. Não sei se o tempo cura tudo.. eventualmente, até poderá curar, mas não na nossa escala de tempo. Afinal, quando se acaba o nosso tempo, o tempo, efectivamente, levou tudo com ele e curou o que haveria de torto. Mas talvez existam coisas em nós que não devam ser curadas; pequenas grandes feridas que vão ficando, porque se a vida é um caminho, difícil era não ir dando umas quedas de vez em quando.

Elas vão ficando, umas melhor cicatrizadas que outras. Vão-se tornando cada vez mais indolentes, mas algumas, teimosas que só elas!, vão dando sinais da sua presença quando toca uma certa música, quando ouvimos uma certa voz, quando sentimos um certo perfume. Curiosamente, as mais dolorosas são as que nasceram de momentos mais felizes; quanto mais felizes as recordações, mais triste a sua lembrança... é um paradoxo curioso, não acham?

Talvez, na verdade, algumas delas nem cheguem a ser propriamente feridas... Será que nos sentimos um pouco mais aliviados se pensarmos assim? Se imaginarmos que, à medida que crescemos, crescem nas nossas costas uns raminhos de cerejeira. Cada flor que ali nasce é uma memória e só quando passa o vento, e faz dançar e cintilar as folhinhas, é que damos por elas. Então, momentaneamente, sentimos-lhes o perfume. 

Eu já tive um vale de cerejeiras que agora é uma flor pequenina nas minhas costas. Ou no coração, não sei bem.



Inté*

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Txiii... Oh Estudante, grande testamento!

Li a notícia um bocado na diagonal, mas parece que vai passar a ser proibido "fumar" cigarro electrónico em espaços públicos. Teoricamente, o cigarro electrónico é algo inócuo e, portanto, assim à primeira vista, não me parece necessário proibir o consumo deste produto em espaços públicos. Ainda assim, não pensei muito no assunto e, portanto, não vou tecer grandes comentários relativamente a isto.

Eu trouxe-vos este assunto porque, no seguimento desta notícia, alguém se insurgiu quanto à possibilidade da adopção desta medida, referindo que, mais importante do que proibir o consumo de cigarros electrónicos em espaços públicos, seria a adopção de campanhas e medidas relativamente à venda e consumo de produtos alimentares com elevado teor de açúcares e gorduras. De facto, e não sei se alguma vez abordei este tema por aqui, acho incorrecto que produtos como bolachas, chocolates e outros que tais, sejam taxados com IVA de 6%, por exemplo. São produtos alimentares, é verdade, mas não são bens de primeira necessidade e, se tivermos em conta que em Portugal a principal causa de morte é a doença cardiovascular (AVC's e enfartes do miocárdio), é uma vergonha que não sejam adoptadas medidas de Saúde Pública com a magnitude das campanhas anti-tabágicas, em que seja desincentivado o consumo deste tipo de produtos (e outros...) e promovido o consumo de alimentos mais saudáveis.

Somos cada vez mais gordos; quase todos os indivíduos a partir de certa altura, têm diabetes tipo 2; a HTA é outra epidemia que tal e as nossas políticas beneficiam os lobbies das grandes indústrias alimentares em detrimento da nossa saúde.

Alguém dizia que faz sentido que a campanha contra o tabaco seja mais premente do que uma campanha contra hábitos alimentares (incluindo consumo de bebidas alcoólicas) porque "podemos morrer com o fumo dos outros, mas ninguém morre só porque a pessoa ao lado comeu uma bolacha". Ora, esta insinuação, para além de me parecer de um egoísmo abismal, parece-me também reveladora de uma grande ignorância. Primeiro, porque todos nós sabemos os riscos que corremos num país que gosta de beber uns copos a mais, nomeadamente, a quantidade de acidentes de trânsito que acabam de forma bastante trágica. Em segundo lugar, basta recordar que todos nós financiamos, mediante o pagamento de impostos, o nosso Serviço Nacional de Saúde. Somos nós que pagamos todos os internamentos por diabetes descompensada, por enfartes do miocárdio, por AVC's; somos nós que pagamos os transplantes de fígado; somos nós que temos listas de espera consideráveis para consultas que poderiam ser menores se não tivéssemos tantos doentes em consultas de diabetes, HTA e por aí fora. (Ah, e  faltam as baixas!...).

Portanto, os gastos, directos e indirectos, que resultam dos nossos estilos de vida sedentários e atolhados de comida pouco saudável são enormes e são pagos por todos nós. Além disso, penso que todos nós beneficiaríamos de uma sociedade mais saudável, certo?

Tenho pena que não exista coragem da parte das entidades competentes, para tomar medidas concretas e verdadeiramente fracturantes, digamos assim, no que diz respeito à indústria alimentar (como foi a redução do teor de sal no pão, por exemplo). É verdade que muitas alternativas a alimentos menos saudáveis são mais caras. Mas muitas dessas alternativas também são dispensáveis (produtos sem açúcar, frutose e outros adoçantes, substitutos da carne, sei lá...). Os velhinhos legumes, a fruta, o leite e o consumo moderado de tudo o que comemos constituem, no fundo e em termos gerais, aquilo que é realmente fundamental... e pouco dispendioso.


Inté*

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Sem floreados

Todos os dias há doentes que têm alta e que não regressam a casa porque o cuidador (familiar ou outro) se recusa a levar o doente para casa (e não me refiro a situações em que não existem condições para acolher o doente...). Por mais que lhes seja explicado que o doente não cumpre critérios para ser reencaminhado para unidade de convalescença ou unidade de cuidados integrados, insistem que não o levam. E pronto. E fazem-no porque sabem que nós não vamos pegar no doente e pô-lo à porta. Ficamos então encarregues de procurar algum local que possa acolher o doente. Enquanto isso, temos uma cama inutilmente ocupada que poderia servir a alguém que realmente necessita de cuidados hospitalares; enquanto isso, são dias e dias (às vezes, semanas!) de internamento, com todos os custos associados, sem qualquer necessidade. As despesas em saúde são muito elevadas? Não compreendo porquê... E enquanto isto, os cuidadores permanecem completamente impunes e sem qualquer tipo de consequência perante uma atitude de abandono.

O abandono de doentes idosos é muito, muito frequente. Mas não tem tanto impacto em nós enquanto sociedade como tem o abandono dos animais. Nem causa tanto impacto como causaria o facto de, se de repente, os pais começassem a abandonar os filhos a torto e a direito nas enfermarias de Pediatria. O abandono dos idosos não tem este impacto porque são velhos. São pessoas que já foram esquecidas, que são um peso, um incómodo... é bem patente neste tipo de situações o desprezo que damos às pessoas da terceira idade.

Portanto, e para terminar, nós vivemos num país que pode punir com pena de prisão quem abandona um animal de companhia (e muito bem!), mas que não criminaliza o abandono de idosos nos hospitais e não cria meios de ajuda para quem não os quer abandonar. 

Perfeito.



Inté*