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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Ter o peso de um tamboril

No Verão passado, a Manhê e o Beau-père estiveram cá em casa a passar uns dias. Manhê gosta muito de cozinhar, vocês já sabem, e gosta de cozinhar com bons ingredientes, pelo que o peixinho confeccionado cá em casa, foi sempre peixinho fresco comprado ao peixeiro (de seu nome Adão), que tem o negócio mesmo junto do local onde descarregam os pescadores.
Era costume eu ir também com ela, pois claro. Numa dessas nossas idas ao peixe, comprámos tamboril. Disse-nos o Sr. Adão:

- Era um tamboril enorme! Olhe, devia ter o peso da menina... - (a apontar para mim).

"Ena pá, - pensei cá para comigo- era cá um mostrengo!"

- ... tinha p'raí uns 48Kg - concluiu.

Ri-me muito. Para dentro, claro. Deixem lá o senhor peixeiro acreditar que peso 48Kg! Ainda bem que o senhor usa balança, porque se vendesse a olho, digo-vos uma coisa, ficava na miséria.

Quarenta e oito kilos. 'Tá bem, 'tá...



Inté*

domingo, 9 de outubro de 2016

Bom Domingo!

Espero que hoje aproveitem bem o vosso dia, o solinho e o tempo livre. Quanto a mim, estou de regresso ao meu T1. Quando vimos a casa, o tempo passa dez vezes mais rápido, não sei que fenómeno é este, mas não o tenho conseguido contrariar...

Sabem uma coisa? Ainda me custa fazer a viagem de volta... Acho que o que custa mais nem é propriamente estar num sítio novo; o que custa mais é aprender a não estar. A não estar sempre nos aniversários e em outros dias festivos; a não estar nos almoços de família; a não estar nos serões... Enfim.

Pelo menos, é por uma boa causa, certo?



Inté*

terça-feira, 4 de outubro de 2016

O Pipo

O Avô faz vinho desde que me lembro. Escolheu as castas com o maior cuidado, enxertou aquelas que lhe pareciam as mais adequadas e, depois de muitos anos, o vinho do Avô é o sumo de uma selecção muito especial e de um trabalho muito cuidado. E tanto orgulho que ele tem nele!

A adega, como nós lhe chamamos, é uma divisão pequenina, de chão de cimento e paredes mal rebocadas, onde está o tanque do mosto, a cuba e o grande pipo de madeira. É um sítio muito tosco, relativamente mal iluminado e, por isso, com uma atmosfera muito própria, que sempre exerceu em mim um fascínio muito particular. Nas paredes há de tudo um pouco: garrafões empilhados, alfaias agrícolas, badalos e, até há uns anos, costumava haver também uma bola de sebo com que se vedava a torneira do pipo.

Mas o elemento mais mágico de todos era a escada. Na parede contrária à da porta da entrada está uma escada estreita de ferro que dá para uma arrecadação superior onde só se consegue andar de gatas. E eu só pude espreitar a arrecadação uma vez; cheia de pó e coisas velhas, que eu não sabia bem o que eram... era um mundo!

À medida que fui crescendo, as coisas foram ficando mais pequeninas, nomeadamente o pipo de madeira; a escada já não sobe até ao céu e já não existe a bola do sebo. Mas a adega é "A" adega e, nesta minha cabeça que de adulta só tem a idade, ainda é um sítio onde acontecem coisas estranhas.



Inté*

sábado, 3 de setembro de 2016

As memórias pequenas

Não é raro, e provavelmente também acontece convosco, eu fixar na minha memória pormenores muito pequenos do dia-a-dia e acabar por esquecer aspectos que, aparentemente, seriam os mais lógicos de guardar algures nuns neurónios gaveta.

Quando era pequena, o Avô comia pão às refeições. Agora já não come, porque parece que a doçura que insiste tanto em esconder na sua aparência de homem não sentimental, se lhe transferiu para o sangue e acabou por ficar com diabetes. Mas o Avô não comia um pão qualquer; o Avô comia um pão de centeio, que naquela altura me parecia enorme, e que cortava com a ajuda da sua navalha, num corte seguro e imensamente preciso, originando grande fatias semilunares de pão. Para mim, observá-lo neste pequeno gesto, era quase uma cerimónia. Ele nunca deu conta, penso eu, de como eu gostava assistir ao seu ritual. O Avô tinha um pão especial que cortava com a sua navalha - e também a navalha era um objecto que me merecia imenso respeito porque o Avô andava sempre com ela num dos bolsos das calças.

À hora do lanche, o Avô voltava a comer o seu pão centeio, desta vez com uma ou duas fatias de queijo; queijo de verdade, daqueles feitos de forma artesanal, feios, tortos e mal cheirosos que ainda hoje fazem as nossas delícias. E lá vinha a navalha, o corte perfeito no pão grande e cinzento, que era, não o pão centeio (sabia lá eu o nome dos cereais), mas antes o "pão do Avô".

Hoje, o Avô já não come este pão... mas a navalha, essa, está sempre lá.



Inté*

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Cá por coisas...

Vocês acharam o meu último post agressivo, não foi?

Mas em minha defesa tenho a dizer que, esta semana, um dos temas debatidos num desses estupendos programas da manhã da televisão portuguesa foi baseado na pergunta "porque é que os homens coçam os testículos?" 

Pois é. Chegámos a este ponto, meus amigos. Não existem, certamente, assuntos mais interessantes do que tentar compreender porque é que há homens que são... vamos lá, um bocado para o porcalhão. E terem utilizado o termo testículos já não foi nada mau! Espantou-me o facto de não terem aderido a analogias leguminosas.

Olhem, mudando de assunto: amanhã, pela hora de almoço, chegam a Manhê e o Beau-père. A ementa prevista é um patê de ovos para a entrada, sopinha de couve coração de boi e tomilho, caldeirada de raia e pudim de caramelo. Parece-vos bem? 


Inté*

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Vamos falar de coisas boas?

No próximo fim-de-semana vou receber a visita da Manhê e do Beau-père; vão ficar uma semaninha cá em casa. A Manhê é daquelas pessoas que torna tudo mais bonito  - é assim uma espécie de toque de Midas.

Quando esteve cá em Julho, parecia que a cidade tinha ficado cheia de luz. Para ela tudo é bonito, tudo vale a pena; fala com toda a gente, descobre mercearias que eu nunca tinha visto em seis meses, fica a saber o nome do peixeiro, da senhora da papelaria, do merceeiro... enfim. A Manhê tem uma energia que contagia.

Sabem quando nos desenhos animados aparece uma fada que com um toque da varinha de condão faz aparecer uma cortina de cores que vai cobrindo o cenário? Assim com uns pozinhos brilhantes que vão caindo sobre a paisagem? É a Manhê.



Inté*

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

À minha Margarida

Sabes uma coisa?

Tu até podes achar que é por acaso que o teu nome começa no Mar, mas não é. 
Ou que todo ele é Natureza só porque sim.
Agora lembra-te de tudo o que conseguiste na tua vida e pensa bem em todas as coisas bonitas que conquistaste.

Não sei se foi o teu nome que te tornou naquilo que és ou se és tu quem faz jus ao teu nome... Mas não é por acaso que o teu nome começa no Mar.



Inté*

sábado, 4 de junho de 2016

Lamechices...

É só para dizer que, lá numa cidadezinha aos pés da Serra, estão três pessoas de quem eu gosto muito e de quem tenho muitas saudades. Depois, há também mais outras cinco pessoas que não estão na cidadezinha aos pés da Serra porque a vida obriga a fazer escolhas difíceis e a procurar novas oportunidades em outros países que não o nosso - também tenho saudades vossas.

Eu espero que hoje tenham um lindo dia de Sol como aquele que está a brilhar por aqui; que se riam muito, que aproveitem bem a companhia uns dos outros e que vejam muitas coisas bonitas.


Inté*

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Sem comentários

Pela hora de almoço, a Nova Zelândia já tinha entrado em 2016. O Avô, ao ouvir a notícia no Telejornal, disse:

"Porra, até a entrarmos no Ano Novo somos mais atrasados do que os outros!"


E é isto.



Inté*

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O Avô não era de lamechices...

... mas há uns dias, disse que não ia morrer.

"Então porquê, Avô?"

"Porque tenho duas netas médicas!"

E senti um baque. Quase lhe disse como dizemos aos meninos pequeninos: isso não se diz! 

Claro que eu nunca vou conseguir evitar que as pessoas que eu amo acabem por morrer um dia, ou fiquem doentes. Talvez essa seja das maiores frustrações de um médico. Mas o Avô tem razão. Ele não vai morrer; não por sermos médicas, mas por gostarmos muito dele. Eu acredito que enquanto alguém transporte consigo a nossa lembrança e as nossas saudades, não morremos.

No fim, rematou com um dito popular:

"Há duas coisas que não podemos compreender: como é que os padres vão para o inferno e os médicos se deixam morrer!"

Sinceramente, custa-me mais compreender como é que os padres vão para inferno.



Inté*

sábado, 31 de outubro de 2015

Conversas de Sábado

Conversas do almoço de Sábado aqui por casa: cremar ou enterrar? Discussão controversa enquanto degustávamos uma perninha de perú assada no forno.

"Eu cá acho a cremação bastante higiénica... ser enterrado é uma porcaria".

"Mas com a cremação a pessoa desaparece muito rápido!"

"A mim faz-me mais confusão saber que tenho um ente querido a apodrecer num sítio qualquer..."

"E quando cremamos, onde pomos as cinzas? Em casa, num potinho? E depois se o potinho não combina com o resto da decoração?"

"E se o potinho cai enquanto estamos a fazer limpeza e aspiramos a avó?"

"Quanto a mim, podem cremar-me e espalhar as cinzas lá no cimo da serra."

"Tão longe?! Espalhamos já aqui... ou ficas no cinzeiro do carro."

"E o vento que faz na serra? Era preciso direccionar bem a coisa, se não ainda ficavas  toda agarrada a mim."

"Sim, já não basta agora, ias manter o hábito de forma póstuma."

"Mas a Igreja Católica opõe-se à cremação... diz que se viemos do pó, ao pó temos de tornar..."

"Por favor! E pó não é cinza, queres ver? É mais pó do que ser comido pelas minhocas!"


E pronto, é isto. Pelo menos o perú estava bem bom.



Inté*

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Hoje é um dia feliz!

Se eu tivesse criado o Mundo, provavelmente ele não ia ser tão bonito.
Só uma mão muito delicada e um coração muito grande conseguiria imprimir tantas estrelinhas no Céu - pequeninos sinos fulgentes que ardem ali para sempre.
Só um pincel muito fino conseguiria dar cor às asas dos passarinhos para depois, com um pequeno sopro, fazê-los levantar da palma da mão num voo tão leve e delicado.
Agora que penso nisso,
Se eu tivesse criado o Mundo, certamente ele não seria tão bonito.
Mas ainda assim, se eu tivesse criado o Mundo, 
Eu encontraria uma maneira de ficarmos velhinhas as duas - tu primeiro e eu depois.
Tu já velhinha, não envelhecias mais até eu chegar junto a ti.
Então, uma vez que eu te alcançasse, crescíamos as duas mais um bocadinho, sentadinhas à janela.
E íamos embora também as duas, com a mesma idade, no mesmo dia, ao mesmo tempo.
Porque o Mundo que eu conheço, não conhece dias sem ti.


Parabéns, Mãe!


Inté*

domingo, 20 de setembro de 2015

Estou tramada

Na próxima semana, a Manhê e o Beau-père vão à Suíça. Isso significa que, durante cerca de duas semanas, eu e a mana vamos ficar com a casa por nossa conta. Até poderíamos aproveitar estes dias para umas brutas festanças, uma ramboiada total, mas o espírito teenager já se extinguiu há algum tempo, com a mana a estudar para o exame do Harrison e eu a trabalhar.

Na verdade, a ida da Manhê deixa-me um tanto ou quanto melancólica, antevendo já todas as saudades e a falta que esta senhora me fará. Todos estes sentimentos antecipados tornam-me bastante vulnerável aos pedidos feitos pela Manhê - não sou capaz de dizer que não a nada. Manhê sugere que devemos fazer um bolinho, a Estudante faz; Manhê diz que quando chegar a casa tem de passar a roupa a ferro, Estudante passa; e por aí fora.

Aaaaiiiiiiiiiiii... que coração tão fraquinho.



Inté*

sábado, 12 de setembro de 2015

Uma arte muito minha III



Ou da minha Avó, neste caso.


Inté*

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Missão Impossível!

Quando me mudar no final de Dezembro, o Simbinha (que para quem não sabe, é o meu gato) também vai comigo. Não sei bem como vou fazer a viagem de carro com ele, porque o bichano fica desvairado quando o meto na transportadora e contorce-se todo na tentativa de sair... vai ter de fumar uma antes.

Bom, a verdade é que apesar de ser um bom gato, o Simba habituou-se a ração de primeira, que é bastante cara, e nem por nada quer voltar a comer a ração de marca branca (culpa da Manhê!). Ora, eu comprometi-me a "desabituar" sua excelência de ração que custa mais do que os meus cereais... Lá porque tem nome de rei, o baptismo não incluía nenhuma cláusula acerca de comida de ouro. A verdade é que não está a ser fácil e sempre que experimento encher-lhe o pratinho com a ração baratinha, o raio do bichinho só falta dizer-me: "Come-a tu, olha que porra!".

E pronto. Estou a prever que o Simba levará a sua avante.
Eu e um gato numa cidade nova... só clichés.



Inté*

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Saltar do ninho

É sabido cá por casa que em Dezembro a Estudante vai mudar de cidade. Tenho a sensação de que é quase um tema tabu porque, cada vez que o assunto vem à baila, ninguém se pronuncia, à excepção da Avó, que só por pouco não se afoga em lágrimas...

A Manhê diz que fica contente por eu ir ter a minha vidinha, mas depois lá confessa que não é uma alegria completa. Mas também, quase nenhuma alegria é completa, não é verdade? Tudo tem o reverso da medalha.

Acredito que os primeiros tempos fora de casa sejam bastante difíceis, sobretudo para quem vai sozinho. Mas é tão bom pensar que vou ter o meu próprio espaço, tudo arrumadinho ao meu gosto... e o Simba vai também. Eu acho que ele vai gostar, mas aposto que vai sentir saudades da relva e de se rebolar na terra... provavelmente, também não terá cobrinhas nem ratinhos para caçar. Vou ter pena de deixar por cá os meus outros bichinhos.
 
E sei que também vou ter saudades do silêncio pela manhã, interrompido apenas pelos passarinhos, e do cheiro a mimosas na Primavera, dos finais de tarde de Verão, dos serões à lareira no Inverno...
 
Vou ter muitas saudades de muitas coisas, mas hei-de descobrir outras, se tudo correr bem.
 
 
 
Inté*

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Cor de...

A laranjeira do Avô está carregadinha este ano. Na verdade são duas, mas eu tenho um carinho especial por uma delas, não sei ao certo porquê.
 
E também não sei ao certo de onde vem este prazer tão grande em colher a laranja da árvore e comê-la assim gelada pela baixa temperatura que se faz sentir lá fora. Às vezes, é-me impossível evitar colher também um pouco de rama juntamente com o fruto... isto depois de algumas puxadelas valentes (e quedas iminentes que, felizmente, nunca se concretizaram).
 
São pedacinhos de Sol que crescem ali...
 
 
 
Inté*

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Amorzinho

Se o amor fosse uma pessoa (ou duas...), seria certamente personificado pelos meus avós. Eles provavelmente não sabem, mas quando eu vejo a maneira como cuidam um do outro eu consigo acreditar que às vezes, o amor de verdade bafeja algumas pessoas.
 
De certeza que o Avô quando conheceu a Avó, nunca pensou que o amor dela por ele, mais do que beijos, abraços e palavras bonitas, seria todo o esforço que ela faz para o manter confortável agora que ele está doente. Nunca imaginou de certo, que aquela menina tão franzina seria capaz de lhe dar banho, de deitá-lo e de lhe dar as injecções de heparina.
 
Quando conhecemos alguém nunca pensamos em nada disto. E é assim que tem de ser para, mais tarde, quando os dias são menos bons, nascer esta surpresa que a vida reserva para os verdadeiros amantes: esta manifestação de amor incondicional, quando pensamos já conhecer o expoente máximo daquilo que o amor pode dar.
 
Eu também quero um amor assim. Daquele que não nos faz ter medo de nada; daquele que nos faz pensar que um dia, se for preciso, pegamos na nossa pessoa ao colo e levamo-la connosco.

É engraçado pensar que, no meio de tantas adversidades, os avós são na verdade, pessoas cheias de sorte... porque, o que nos fica da vida a não ser o amor que damos e aquele que recebemos?
 
 
Inté*

sábado, 19 de abril de 2014

As Bodas de Ouro

Hoje o Avô Manuel e a Avó Arminda fazem cinquenta anos de casados. Significa isto que já viveram mais tempo um com o outro do que sozinhos. Na verdade, eu tenho cá para mim que eles sempre viveram os dois. Não concebo na minha memória que os avós alguma vez tenham vivido um sem o outro. Nah... os Avós estiveram sempre juntos, tenho quase a certeza.

O Avô conquistou a Avó com bolachinhas de baunilha e cartinhas de amor. Hoje em dia, já ninguém dá bolachas de baunilha e ainda menos pessoas escrevem este tipo de cartas. É pena, porque pelos vistos funciona... ainda hoje a Avó gosta do Avô e daquelas bolachinhas.

Dia 19 de Abril é uma data importante porque foram eles que começaram esta brincadeira de formar a nossa família. E também porque são o exemplo de como os abracinhos no sofá podem permanecer durante muitos anos.


Inté*

domingo, 13 de abril de 2014

Subtilezas

Eu sei que cozinhar é uma das formas que a Avó tem de mostrar o amor que tem por nós...

...assim como para o Avô, arranjar-nos as bicicletas é uma maneira de dizer: gosto de ti.



Inté*