Esta semana estive no Centro de Saúde. A maioria dos utentes são velhinhos e hipocondríacos, mas a manhã de quinta-feira é reservada aos mais pequeninos.
Quando nessa manhã cheguei ao consultório o médico ainda não estava. Contudo, já uma pequena flor corria pelos corredores aos saltinhos. Não devia ter um metro. Do alto dos seus quatro aninhos, olhava-me com aqueles olhinhos de curiosidade, de quem quer fazer uma série de perguntas. Meti-me com ela:
- Tens uma camisola toda gira!
- Não é uma camisola... é um vestido. E já viste o meu cabelo?
E lá rodopiou umas três vezes para que eu pudesse ver bem a indumentária e o penteado. Enquanto falava com ela, lembrou-se que podíamos brincar às escondidas... e lá fui eu contar contra uma parede e esconder-me no consultório segundo as suas instruções.
- Escondes-te onde eu me escondi, está bem?
Quando se lembrou que podíamos brincar às apanhadas é que foi pior... Então, sugeri-lhe que fizéssemos um desenho. Enquanto desenhávamos com a minha lapiseira (foi uma grande desilusão para ela eu não ter lápis de cor) eu disse-lhe:
- É uma chatice estar à espera do Sr. Doutor, não é?
- Sim... sabes, eu gosto muito dele! E hoje tu vais para minha casa!...
E a certa altura, sem tirar os olhos dos grandes riscos que estava a fazer, disse-me assim:
- Tu não me deste um beijinho nem um "abaço"...
Derreti-me toda! Nunca me passaria pela cabeça abraçar os meninos que vêm à consulta... mas ela estava à espera que eu o fizesse. E provavelmente, já estaria à espera do abraço há muito tempo sem eu o saber...
Os mais pequeninos têm um raciocínio muito especial. Os grandes é que complicam tudo.
Inté*