quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Pessoas não humanas

A Índia declarou os golfinhos como "pessoas não humanas", com o intuito de proibir a sua manutenção em cativeiros, bem como a utilização desta espécie em espectáculos de entretenimento (aqui).

Eu já tive oportunidade de me cruzar com pessoas não humanas... mas não eram golfinhos.



Inté*

Heranças...

... genéticas, meus amigos. Uma pessoa nasce fruto de uma combinação completamente aleatória de genes e quem sabe, outras coisas mais, e sujeita-se àquilo que a natureza achou por bem ofertar. Não há possibilidade de reclamação, não há possibilidade de troca. Aquilo que o óvulo e o espermatozóide resolveram trazer é que fica e fim de conversa.

Ora, já muitas vezes cá em casa tenho demonstrado à Manhê o meu desagrado com certas heranças que me foram atribuídas e com outras que eu gostava de ter tido e não tive. Manhê assiste à minha dissertação impávida e serena e ignora as minhas queixas com uma falsa aceitação (já sabem que para as mães não há nada mais perfeitinho do que os seus rebentos), só para me fazer a vontade. Embora tenha nascido gémea com outra menina, a verdade é que das duas, sou a que mais se parece com a Manhê, sobretudo em termos de feitio...

Uma das heranças maternas que eu dispensava perfeitamente devido aos seus malefícios ponderais, é uma paixão assolapada por... figos! Para mim todos os figos são bons; figos de todas as cores, de todos os tamanhos e feitios. Se são figos maduros, bring it on!

São heranças do caraças...



Inté*

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Abbraccio

A propósito desta imagem, lembrei-me daqueles abracinhos que os mais pequenitos nos dão. Lá vêm a correr, meio trôpegos, embriagados com os poucos anos de juventude, para depois nos caírem no colo, com os bracinhos apertados em volta do nosso pescoço, as mãozinhas pequenas a esforçarem-se por se manterem unidas e o corpo seguro nas pontinhas dos pés.

Pequenas cabeças inconscientes da inexistência de uma relação directa entre o carinho e o aperto, ali ficam num abraço pequenino de um amor sem medida.


Inté*

Avecs porr toude o lade

Agosto é, inevitavelmente, o mês dos avecs. Este estatuto, ganho por volta dos anos '70 não parece correr o risco de extinção e, dado o nosso panorama económico, está de óptima saúde e recomenda-se.

Aqui na região, família que se preze, tem pelo menos um avec ou dois. Eu tenho mais. Alguns já regressaram e já se fixaram definitivamente na sua cidade de origem, outros ainda vão e vêm todos os anos agora por esta altura. Daí que, todas as minhas alusões aos emigrantes portugueses não sejam mais do que uma caricatura (que às vezes subestima o comportamento de alguns, verdade seja dita...) daqueles que para mim sempre fizeram parte dos meus Verões.

Talvez agora o contraste entre aqueles que aqui estão permanentemente e os portugueses intermitentes seja menor. Mas quando Manhê era pequena, e sobretudo nesta região do Interior, avecs pareciam vindos de uma outra galáxia, com os seus grandes carros, elas muito bem vestidas e maquilhadas, conhecedoras de coisas que aqui nem se ouviam falar... enfim, um fenómeno. Traziam brinquedos e chocolates que faziam a alegria dos mais pequenos e a inexistência de meios de comunicação como aqueles que conhecemos hoje em dia, fazia da chegada dos "tios de França" o acontecimento do ano.

Agora, embora a internet vá mitigando mais a saudade, continua a ser bom tê-los de volta, sobretudo aqueles que nos visitam apenas uma vez por ano. E o principal impacto da chegada dos avecs já não é aquele que era... agora nota-se mais que estamos em Agosto porque esgotam os produtos dos Supermercados.

Txiii... que exagero Estudante! Pronto, está bem. É mais no Intermarché.



Inté*

domingo, 4 de agosto de 2013

Quando a sorte nos bate à porta...

Não tenho sorte no jogo e o dinheiro não quer nada comigo. A única vez que encontrei algum dinheiro no chão, foi uma velhinha moeda de cem escudos, onde Pedro Nunes luzia a sua esbelta figura, que dois minutos depois acabou nas mãos de um ceguinho que se encontrava um pouco mais à frente. Pareceu-me aquilo uma espécie de teste divino - deparar-me ali com a moeda e o pobrezinho tão próximos um do outro não podia ser coincidência e eu não quis desiludir o Senhor.

Porém, no meio de tanto azar, a verdade é que nas quermesses aqui da terrinha, Estudante triunfa sempre com o primeiro prémio. Já cá canta uma bicicleta e uma aparelhagem. Acontece que, não havendo bela sem senão, Manhê e Beau-père fazem parte da organização das festas e o povo começou a desconfiar da minha sorte. Sim, porque quermesses são um assunto muito sério e merecem longas horas de reflexão por parte de toda a gente. Então, Estudante deixou de comprar rifinhas...

Hoje há quermesse outra vez... quem sabe se não me estreio novamente nos primeiros prémios?



Inté*

sábado, 3 de agosto de 2013

Redundâncias

Estava a ver as etiquetas que utilizo aqui no blogue e notei que algumas são um pouco redundantes... Sobretudo as "animais" e "política"; não sei se vale a pena aplicar ambas, talvez uma delas chegasse.

Mas enfim, não vamos ofender os animais.



Inté*

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Púcaros!!!

Todos os anos no primeiro Domingo de Agosto, é organizada aqui na terrinha a Corrida dos Púcaros. Este é o púcaro: 



Os púcaros são cheios pelas pessoas com doces, enlatados, farinha, enchidos, água... e cobrinhas também. Depois, são pendurados e o objectivo é serem picados com o auxílio de uma estaca por alguém montado a cavalo ou num burrinho. Quem pica o púcaro, fica com ele e com o recheio, evidentemente. Antigamente, a corrida ocupava uma grande extensão da aldeia, com imensos púcaros suspensos pelas ruas. Agora, é montada uma estrutura num recinto mais pequeno onde são colocados estes potinhos.

Conta o Avô que na altura em que ele ainda se metia nestas aventuras, decidiu participar na corrida. Como devem calcular, os participantes deveriam deslocar-se a uma velocidade considerável, caso contrário, seria muito fácil picar os púcaros. Assim, os animais eram "atiçados" pelos responsáveis da festa e... boa sorte ao concorrente. Acontece que no dia em que o Avô quis participar, um dos concorrentes parecia ser beneficiado em relação aos restantes, pois o burro que montava não era estimulado a correr e o senhor abarbatava-se com os púcaros todos. O Avô, que via a sua égua branca a correr desenfreadamente por conta dos responsáveis da corrida, perdeu a paciência e exigiu que não lhe picassem mais o bichano. Mas tal não aconteceu.

Ora, só quem não conhece o Avô é que não lhe faz caso, porque a verdade é que este senhor nunca foi homem de meias medidas! Resultou que se zangou mesmo a sério e depois de umas palavras mais feias, conseguiu percorrer as ruas com a velocidade a que bem entendeu, virou a estaca ao contrário (a parte que deve picar os púcaros é mais afiada), e partiu os potes todos à paulada. Aquilo gerou uma imensa confusão e parece que os organizadores não ficaram muito contentes porque no ano seguinte, não houve corrida dos púcaros para ninguém.

***

Todos os anos tenho pintado um púcaro. Eu sou uma péssima fotógrafa, vocês já sabem, mas o deste ano ficou assim:





Estive quase para pintar um bigode às senhoras, para conferir uma maior veracidade aos meus Saloinhos mas depois desisti...



Inté*